Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

'Enfrentei o maior sacrifício da minha vida'

Em discurso, mulher de Roriz relatou experiência de seu primeiro debate na TV: 'Parecia que eu estava indo para a forca defender meu marido'

Carol Pires / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2010 | 00h00

Escorada no slogan de que trará de volta a Brasília "o jeito Roriz de governar", Weslian Roriz (PSC) tem mostrado - tanto no seu primeiro debate quanto nos comícios pelas cidades satélites - que tem também o mesmo "DNA Roriz" de fazer campanha.

"Eu enfrentei o maior sacrifício da minha vida", disse, em discurso em Luziânia, a 60 quilômetros de Brasília, ao relatar a experiência no debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal, na TV Globo, anteontem. "Parecia que eu estava indo para a forca defender o meu marido. É muito cruel o que estão fazendo com ele", completou Weslian, substituta de Roriz, barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Pouco articulada, Weslian foi vítima de si mesma no debate. Sem a oratória e a desenvoltura do marido, ex-governador por quatro mandatos, ainda assim tentou incorporar o "jeito Roriz de debater". Nos momentos que sentiu-se acuada, caiu com um "tudo tem sua hora e vamos fazer" - mesmo subterfúgio usado por Roriz quando não quer se comprometer ou não encontra respostas.

Orientada pela campanha do marido, também adotou estratégia de criticar o PT, principal adversário da campanha, sem precisar polarizar o debate com Agnelo Queiroz, candidato líder nas pesquisas. Em duas ofensivas, ela se reportou ao candidato Toninho do PSOL, ex-petista.

Apesar de ter dito no horário eleitoral que Weslian seria "teleguiada" pelo marido caso eleita, no encontro nos estúdios da TV, Toninho de fato foi mais afável: "Não faço crítica ao fato da senhora estar aqui substituindo Joaquim Roriz, esse não é o problema. O nosso problema são as divergências que temos sobre os projetos para o DF".

Católica fervorosa, Weslian também partiu para cima do PT, acusando o partido de defender o aborto. Na última entrevista como candidato, Roriz havia dito que Agnelo é ex-comunista, que comunistas não acreditam em Deus e por isso são a favor do aborto.

Weslian chegou ao debate com a mesma teoria do marido na manga, e, ansiosa para usá-la, acabou inquirindo o adversário no espaço em que deveria responder sobre políticas para o transporte. "O senhor foi do Partido Comunista, que não acredita em Deus, e agora está no PT. O senhor é a favor ou contra o aborto?"

Apesar da pergunta feita fora de hora, que no momento soou como mais um erro da candidata, Agnelo teve de recuar no bloco seguinte, usando um dos seus espaços para esclarecer que era cristão e contrário ao aborto.

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