Engenheiro admite não ter vistoriado barco que afundou em Cabo Frio

O engenheiro naval Cícero Augusto Penteado de Brito Vianna, que assinou dois relatórios relativos ao arqueamento do casco do Tona Galea e à capacidade máxima de passageiros da embarcação, admitiu hoje que não vistoriou a reforma do barco, que naufragou em Cabo Frio e matou 15 pessoas na Semana Santa. Vianna prestou depoimento hoje na 126ª Delegacia Policial (Cabo Frio). Vianna argumentou que, se houvesse algum problema nos relatórios, a falha deveria ter sido detectado pela Capitania dos Portos, responsável pela autorização para o Tona Galea navegar. O engenheiro disse que os documentos referem-se a uma embarcação de madeira, mas o casco do Tona Galea foi revestido com fibra de vidro, o que altera seu comportamento na água e exige novos cálculos.De acordo com o delegado, caso o laudo das perícias realizadas na embarcação indique erro de cálculo como uma das causas do naufrágio, o engenheiro poderá responder por homicídio culposo. Omena afirmou não ter competência para responsabilizar a Capitania dos Portos. A investigação sobre a atuação da Marinha encontra-se no âmbito federal.Omena contou que o engenheiro admitiu ter assinado cálculos em projetos de outras embarcações, mas disse ao policial não se lembrar quais. Vianna alegou ainda que, apesar de ter assinado os relatórios, não autorizou modificações estruturais nem alterou a capacidade do Tona Galea.

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