Engenheiro de som mata dois policiais em briga de trânsito

Conhecido no meio artístico, Ricardo Carneiro Essucy cometeu crime na frente do filho de 10 anos

Alexandre Rodrigues, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2009 | 14h41

Uma briga de trânsito levou o engenheiro de som Ricardo Carneiro Essucy, de 44 anos, a matar dois policiais militares em Rio das Ostras, na Região dos Lagos Fluminense. Essucy teria se irritado com a intervenção de dois policiais chamados para apartar uma discussão dele com outro motorista por causa de uma vaga de estacionamento próximo ao terminal rodoviário da cidade, no final da tarde de sexta-feira. O engenheiro estava armado e teria se irritado com a abordagem dos policiais Leandro Moura Teixeira e Rogério Barberino. Sacou uma pistola e disparou contra os dois, que não resistiram aos ferimentos.   Segundo testemunhas, Essucy ainda pegou a arma de um dos PMs e fez mais disparos. Após atirar nos policiais, o engenheiro fugiu em direção à capital, mas foi preso na madrugada desta sexta, 2. Policiais já o aguardavam no prédio onde mora, no Grajaú (zona norte do Rio), quando ele chegou com a mulher e dois filhos. Além da arma usada no crime e a do PM baleado, a polícia encontrou no apartamento dele quatro revólveres de calibre 38 e quatro espingardas de calibres 12 e 38. O engenheiro também guardava caixas de munição.   Essucy figura como assistente de gravação e masterizador nos créditos de gravação de álbuns de vários artistas, como Chico Buarque, Dominguinhos, Guilherme Arantes e Engenheiros do Havaí. Conhecido como Menudo no meio artístico, ele é um dos sócios da Cia. dos Técnicos, empresa de Copacabana que reúne profissionais de gravação. Entre seus últimos trabalhos está o CD das Escolas de Samba do Rio deste ano. Segundo amigos, ele foi a Rio das Ostras visitar a mãe durante as festas de fim de ano.   A mulher do engenheiro, Maristela Chaves, também foi detida e liberada após pagamento de fiança. Testemunhas disseram que um dos filhos do engenheiro, de 10 anos, estava no carro do pai e presenciou o crime. Uma acompanhante do outro motorista envolvido na briga foi ferida de raspão.   Segundo policiais da delegacia da Tijuca (6º DP), onde Essucy permanecia detido ontem acusado de duplo homicídio doloso, um advogado da família informou que as armas estão registradas no nome do engenheiro, que seria sócio do Clube de Caça e Tiro de Niterói. Essucy não quis prestar depoimento, alegando que só falará em juízo.   Ataque   Na capital, outros dois policiais foram baleados no final da madrugada de desta sexta, 2. Os policiais do Batalhão Operacional de Vias Especiais faziam patrulhamento no elevado Paulo de Frontin, que dá acesso ao Túnel Rebouças, a principal ligação entre as zonas norte e sul do Rio. Segundo informou a Polícia Militar, bandidos em dois carros importados passaram pelo local atirando contra os policiais. O cabo Marcos Valério de Souza Santos foi atingido na cabeça. Operado ontem no Hospital da PM, ele ainda corre risco de morrer. Já o soldado Márcio da Paz Pinto foi atingido na perna e está fora de perigo. Segundo testemunhas, o carro dos bandidos seguiu em direção ao morro da Mangueira, na zona norte.

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