Engenheiros falam de supostas causas do acidente no Metrô

Só na quinta-feira, 18, seis dias depois da catástrofe na futura Estação Pinheiros do Metrô, é que dois engenheiros do Consórcio Via Amarela falaram à reportagem sobre o caso - com a condição de não terem seus nomes revelados. Garantiram que o recalque (deformação) na obra da estação que ruiu estava sob controle e nunca superou 2,5 milímetros - segundo fontes do Metrô, a medição no dia 12 apontou 20 mm. Leia a seguir a versão das empresas para a tragédia: CAUSAS: Erro de engenharia? Os engenheiros disseram não ter certezas a esse respeito. Afirmaram ainda que foram mal interpretados na questão da chuva, citada na nota divulgada após o acidente. "Nunca dissemos que a chuva foi a causa. Dissemos que a chuva pode ter sido o fator detonador, o trigger (gatilho) do acidente. Porque um acidente desse tipo nunca é causado por um único fator." Mas lembraram que a obra da Linha 4 já tinha registrado um acidente na época de chuvas, em dezembro de 2005 (a queda de uma casa na Rua Amaro Cavalheiro, Pinheiros).MATERIAL: Economia? O consórcio diz ter encomendado um "estudo factual" a escritórios de projetistas e a consultores externos analisando todos os fatores possíveis relacionados ao acidente: projeto, qualidade do material, avanço da obra, geologia, comportamento do maciço, análise dos recalques (deformações na estrutura) e falha humana. "Quanto ao material, nós estamos tranqüilos. Um pedaço da abóbada da Estação Pinheiros está preservado. Então, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) pode tirar uma amostra e checar se houve ou não economia de material. É uma prova."RECALQUES: Fora de padrão? Segundo os engenheiros, o relatório deixado pela equipe que estava no local do acidente na quarta-feira à noite mencionava um recalque de 2,5 mm na escavação do corpo da estação. "Foi um padrão constante. Do nosso ponto de vista, era um problema corriqueiro. Tanto que o ritmo da obra era normal." Eles garantiram que na Rua João Elias Saad, em Pinheiros, onde uma fissura provocou a interdição de oito casas em maio, o recalque foi muito maior - de 75 mm, segundo técnicos do Metrô. Como é feito o cálculo do recalque? Eles disseram que, durante uma escavação, colocam-se cinco pinos nas paredes de concreto (no teto, no alto da curvatura e nas extremidades inferiores), que servem de referência. O monitoramento de possíveis recalques é feito medindo a distância entre os pinos e a profundidade deles. "Se há variação, a gente percebe que houve algum tipo de movimentação da estrutura."ESTAÇÃO: Sinais de perigo? "A gente sabe que o acidente aconteceu ao longo de um trecho de 45 metros do corpo da estação. Nem foi na junção com o túnel." Segundo os engenheiros, na quinta-feira de manhã as equipes de plantão decidiram recorrer a tirantes para conter o recalque. Os tirantes são canos que atravessam a rocha e o solo ao redor da obra. Eles são vazados e através deles injeta-se resina para criar um bulbo na extremidade. É esse bulbo que dará estabilidade à estrutura. A equipe do consórcio decidiu colocar três fileiras de tirantes nas laterais ao longo de um trecho de 45 metros. O trabalho de preparação, com a abertura de furos, foi feito normalmente, mas os tirantes não chegaram a ser instalados.MUDANÇAS: Aprofundar o túnel? O consórcio garantiu que nunca pediu aval para aprofundar ainda mais a Linha 4 na área do Rio Pinheiros. Os engenheiros do Via Amarela disseram que isso foi cogitado pelas equipes técnicas do Metrô, ainda na fase de projeto. "Pedimos, isso sim, permissão para aprofundar a escavação a partir da Faria Lima." O motivo: escavar num tipo de solo mais resistente. O Metrô rejeitou a mudança.

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