Lucas Azevedo/AE
Lucas Azevedo/AE

Engenheiros fazem nova perícia em boate incendiada

Integrantes do Conselho Regional de Engenharia farão parecer técnico; local onde 235 pessoas morreram segue isolado

Diego Zanchetta, de O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2013 | 11h37

SÃO PAULO - Engenheiros e arquitetos do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREA-RS) fazem às 12h desta quinta-feira, 31, uma nova perícia na boate Kiss, em Santa Maria, onde 235 pessoas morreram por causa de um incêndio na madrugada de domingo. Um parecer técnico deve ser emitido na semana que vem e o local segue isolado para a preservação de provas. Paralelamente ao trabalhos periciais, outros nove depoimentos ainda estão previstos para ocorrer.

 

Na tarde dessa quarta-feira, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul fez uma reconstituição do início do incêndio dentro da boate Kiss. Cinco sobreviventes contaram aos investigadores como o fogo começou no teto acima do centro do palco, logo após o vocalista da banda Gurizada Fandangueira acender um sinalizador conhecido como "sputnik".

 

Em poucos minutos, uma fumaça negra tomou conta de toda a boate e ninguém conseguia enxergar mais nada, segundo os relatos das testemunhas. O DJ que tocou antes da banda estava entre os que participaram da reconstituição.

 

"Muita gente viu a luz verde do banheiro e correu pra ele, achando que fosse a saída. Por isso tanta gente morreu nesse canto da boate", explicou o delegado regional Marcelo Arigony, responsável pelo caso.

 

Em depoimento à polícia, um dos donos da casa noturna, Elissando Spohr, o Kiko, admitiu que adotou, sem autorização, medidas que modificaram o projeto original. Entre elas, o uso de espuma inflamável vetada por lei como isolante acústico, o que também causou o rebaixamento do teto.

 

Pela manhã, estudantes, amigos e parentes das vítimas se reuniam no calçadão Salvador Isaías,a cerca de 500 metros da Kiss. Eles faziam um abaixo assinado pedindo Justiça e respostas para a tragédia e ganhavam ampla solidariedade das pessoas que passavam, que faziam até fila. Felipe Dias, de 19 anos, estudante de direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)apoiava a manifestação. "Temos que fazer um movimento para que todo empresário ou prefeito olhe para Santa Maria ao abrir ou autorizar qualquer estabelecimento que tenha aglomeração de pessoas."

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