Enredo da Nenê fala de inclusão e tecnologia

Em tons dourado e prateado, a roupa procura representar a televisão digital, em homenagem à telecomunicação. É como Fábio Xavier dos Santos, de 17 anos, descreve a fantasia que vai usar na sexta-feira de Carnaval. Morador de Guaianazes, ele se prepara para desfilar na ala ?O mundo tem jeito e esse é o nosso jeito?, na escola de samba Nenê da Vila Matilde. Fábio Santos integra o grupo de 120 componentes que ajudaram a concretizar um projeto inédito na tradicional escola paulistana: a chamada ?ala social?. Em parceria com a ONG Idepac, que oferece cursos profissionalizantes gratuitos a jovens carentes em São Paulo, a nova ala leva para o Carnaval a preocupação com os problemas sociais enfrentados pela comunidade da agremiação, predominantemente de baixa renda. Este ano, toda a arrecadação com as vendas das fantasias será revertida para a construção de um telecentro na quadra da escola, com o objetivo de promover a inclusão digital. Sérgio Contente, empresário e presidente do Idepac, lembra que a ONG manteve o ?caminhão-escola? (que se transforma em uma sala de aula com 25 computadores) na quadra da Nenê de Vila Matilde durante 2 meses. O sucesso foi tamanho, segundo ele, que logo surgiu a idéia de instalar um telecentro. ?A escola de samba tem um poder imenso sobre os jovens, de promover transformações sociais. No samba a gente pega eles!?, enfatiza Sérgio Contente. Ele também destaca a capacidade de mobilização do Carnaval entre potenciais patrocinadores: ?Nossa idéia é inspirar novas iniciativas, fazer com que outras escolas de samba tenham a mesma idéia. Vamos distribuir folhetos no sambódromo e deixar claro nosso objetivo.? O telecentro na quadra da escola de samba, equipado com a verba arrecadada com a venda das fantasias, deve ser inaugurado já em março. ?Criaremos um espaço para que toda a comunidade da região possa aprender informática e ter livre acesso à internet?, acrescenta o presidente do Idepac. Continuidade Iracema Ambrósio da Silva, ?primeira-dama? da Nenê de Vila Matilde, comemora a parceria com a ONG Idepac e já anuncia: ?Vamos repetir a dose no ano que vem. Agora a prioridade é o telecentro, depois podemos construir uma biblioteca ou uma sala para reforço escolar. Queremos que não só a comunidade da escola seja beneficiada, mas nossos vizinhos também. A grande meta é fazer com que o Carnaval não acabe na Quarta-Feira de Cinzas, que seu impacto continue ao longo do ano.? ?Será a primeira vez que eu desfilo no Carnaval. Estou muito envolvido, já que participo das atividades do Idepac e conheço bem a escola?, declara Fábio Santos. Para a recepcionista Viviane Lopes, 21 anos, a experiência não será inédita. Mas ela conta que, dessa vez, vai ser especial: ?Participo dos cursos do Idepac há 8 meses e já tinha desfilado na Nenê. Agora, fiz questão de sair na ala social. É minha forma de contribuir.?

Agencia Estado,

14 Fevereiro 2007 | 06h16

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