Ensaio da festa para o príncipe mistura culturas

Cerca de 20 mil voluntários preparam comemoração do centenário; [br]Naruhito, herdeiro do trono, vai participar do evento no sambódromo

Etienne Jacintho, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2008 | 00h00

O primeiro ensaio geral para a cerimônia de comemoração dos 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, marcada para o dia 21, reuniu milhares de pessoas na manhã de ontem no sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo. Nem mesmo o sol forte desanimou os participantes, alguns já com idade avançada e trajes típicos nada adequados para o calor na cidade. Foram mais de 5 horas de um ensaio que se transformou em festa e piquenique."A espera no sol cansa, mas carregar o lanche ajuda", disse a dona de casa Sueko Tengan, de 58 anos, professora de yotsudake - ou dança dos quatro bambus -, típica de Okinawa. "A gente aproveita e faz um piquenique", completou. Sueko nasceu no Japão e veio ao Brasil quando tinha 6 anos. Para ela, é emocionante participar, mas o essencial está em mostrar aos jovens a cultura japonesa. Vestidas com trajes tradicionais, as irmãs Massako Ito, de 65 anos, e Teresa Tsuji, de 61, aguardavam em pé - subir a arquibancada não é tarefa fácil para quem está de quimono - a hora de entrar na avenida. "Fico ansiosa, mesmo no ensaio, e também emocionada", disse Massako. "Vamos fazer a apresentação para o príncipe, então tem de ser perfeito", emendou Teresa. Elas fazem parte do grupo que dançará o Hino do Centenário. O príncipe Naruhito, do Japão, vai prestigiar a festa, que reunirá 20 mil voluntários. Além das apresentações típicas, o evento vai contar com bloco de samba "nikkei", com enredo cantado em japonês. A estudante Tatiane Valete, de 13 anos, nada tem de oriental, mas aprendeu a cantar em japonês. "Fui treinando todos os dias, já decorei a letra, mas estou nervosa." Ela participa da Associação Soka Gakkai Internacional.E Tatiane não é a única sem ascendência japonesa empolgada com a festa. Por trás do bogu, a armadura samurai para a prática do kendo, uma arte marcial, está um rosto bem ocidental - precisamente grego. O presidente da Federação Paulista de Kendo, Constantino Messinis, de 49 anos, disse que "praticar o kendo é praticar os valores dos samurais e do Japão". Para contar os 100 Anos da Imigração Japonesa, um espetáculo com grupos teatrais, como o Pia Fraus - de Bichos do Brasil -, e a escola de samba Unidos de Vila Maria será montado no sambódromo, com carros alegóricos e música. "Teremos um espetáculo multimídia, com um boneco virtual que será o mestre de cerimônia e vídeos que serão mostrados nos dez telões", adiantou a produtora cultural e atriz Lala Deheinzelin."

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