Ensaios criam ''''bloco da insônia'''' na vizinhança

Barulho da bateria das escolas é apenas um dos incômodos para quem vive ao lado dos barracões

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

Batuque, clima de paquera e samba no pé definitivamente não combinam com o publicitário Marcelo Victorino, de 29 anos. Integrante do bloco dos "anticarnavalescos", ele mora justo na Rua São Vicente, bem próximo de onde pelo menos três vezes por semana ocorrem os ensaios da escola de samba Vai-Vai, na Bela Vista, região central."Os ensaios produzem ruídos muito além do permitido e acontecem cobrança de ingresso em via pública e venda de alimentos e bebidas sem alvará e fiscalização", diz ele, denunciando ainda excesso no número de pessoas. "Deveriam ser 300 pessoas e têm 4 mil no meio da rua. É uma balada a céu aberto."A ira do publicitário é tão grande que ele não esconde: todo ano, em época de carnaval, se reúne com outros vizinhos diante da televisão. "A gente assiste ao desfile da Vai-Vai para ?gorar?", diz o rapaz, que nem mesmo pela TV aprecia as escolas de samba de São Paulo.Há quase um ano, o advogado José Rubens, de 30 anos, arrumou as malas e trocou o bairro da Bela Vista pela Vila Mariana, na zona sul. "Eu até pensava em comprar um apartamento lá, só que o barulho dos ensaios é ensurdecedor."O presidente da Vai-Vai, Edimar Tobias da Silva, o Tobias, disse que os ensaios ocorrem dentro das regras - das 18 horas às 21h30 e não há motivo para moradores reclamarem de barulho e muito menos de confusão no local. Segundo a Prefeitura, a quadra da escola está lacrada, mas integrantes podem entrar para retirar fantasias e instrumentos. Os ensaios acontecem do lado de fora da quadra.

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