Entenda a crise que levou à demissão o presidente do Metrô

O desenrolar da crise do Metrô parece não estar próximo de um desfecho. Desde o desmoronamento no canteiro de obras da futura Estação Pinheiros, em 12 de janeiro, que resultou na morte de sete pessoas, a repercussão das obras da Linha 4-Amarela do Metrô recebeu intenso destaque nos noticiários. Na semana passada um laudo sobre a futura Estação Fradique Coutinho, que integra a Linha 4-Amarela, fez com que o assunto ganhasse força novamente e questionasse a segurança das obras. O consórcio mais uma vez negou as contestações do laudo que apontava falhas de soldagem. Na noite desta última quarta-feira, o presidente do Metrô, Luiz Carlos David, pediu demissão do cargo, que foi aceita pelo governador paulista José Serra (PSDB). A presidência, por enquanto, do Metrô fica interinamente do também secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Cronologia da crise no Metrô 12 de janeiro: Deslizamento nas obras da futura Estação Pinheiros do Metrô abre uma cratera de 80 metros de diâmetro e causa a morte de sete pessoas. 15 de janeiro: Corpo da aposentada Abigail Rossi, de 75 anos, é retirado do local do acidente. 16 de janeiro: José Serra suspende o pagamento de janeiro referente ao trecho atingido pelo desmoronamento no vão da Estação Pinheiros. O motivo alegado foi técnico: em vista do acidente, não há como fazer a medição do trabalho executado pelo Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras da Linha 4 do Metrô. 16 de janeiro: Corpo da advogada Valéria Alves Marmit, de 37 anos, é o segundo a ser retirado do local do acidente. Ela estava dentro da van e se dirigia à Estação da CPTM. 18 de janeiro: São encontrados, dentro da van, os corpos de mais duas vítimas, o motorista Reinaldo Aparecido Leite, de 40 anos, e o cobrador Wescley Adriano da Silva, de 22 anos. 19 de janeiro: Márcio Rodrigues Alambert, de 31 anos, é a sexta vítima a ser resgatada, sem vida, do desabamento na futura Estação Pinheiros. 25 de janeiro: Corpo de Cícero Augustino da Silva, de 60 anos, é o sétimo e último a ser encontrado sob os escombros do acidente em Pinheiros. 6 de fevereiro: Consórcio Via Amarela fez a primeira proposta para as famílias que tiveram os imóveis demolidos, interditados ou danificados pelo acidente. Segundo o defensor público Renato de Vitto, o consórcio ofereceu para danos morais indenização de R$ 14 mil por pessoa para as famílias - inquilinos ou proprietários que moravam nas casas - que tiveram de deixar os imóveis. Já para quem teve o imóvel demolido, o valor proposto pelo dano moral é de R$ 35 mil para o chefe de família e mais R$ 14 mil para cada ocupante da casa. Para os danos materiais dos imóveis, a Via Amarela propôs valores para o metro quadrado construído: R$ 700,00 para galpão; R$ 1.000,00 para casa térrea e R$ 1.400,00 para sobrado ou apartamento. 7 de fevereiro: O coordenador de Fiscalização de Obras da Linha 4 do Metrô, Cyro Mourão, disse que o trabalho de sua equipe é feito visualmente. O grupo de dez engenheiros e seis técnicos visita diariamente todas as frentes. 8 de fevereiro: Foram assinados sete acordos de indenização entre moradores e representantes do consórcio. Sobre as obras, o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, disse que a prioridade é que elas sejam retomadas o quanto antes. 13 de fevereiro: Laudo elaborado pela empresa Tecnoplani Inspeções, 15 dias após o acidente no canteiro de obras da Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô, apontou problemas nas soldas da estrutura metálica que sustenta as paredes da futura Estação Fradique Coutinho. As falhas poderiam causar ?acidentes de proporções imprevisíveis?, segundo o documento, divulgado pelo Jornal Nacional, da TV Globo. 13 de fevereiro: A família do contínuo Cícero Augustinho da Silva fecha acordo com o Consórcio Via Amarela e com a seguradora Unibanco AIG para ser indenizada pela morte dele. Outros seis acordos de indenização com inquilinos que moravam na região do desabamento das obras da futura Estação Pinheiros do metrô foram fechados. 14 de fevereiro: Secretaria de Transportes Metropolitanos determina a paralisação das 23 frentes de trabalho nas obras da Linha 4. Interdição vigora até que o Consórcio Via Amarela apresente laudos sobre as condições de segurança em todas as frentes de trabalho; caso medida não seja cumprida, contrato com as empreiteiras pode ser quebrado. 21 de fevereiro: Presidente do Metrô pede demissão, que é aceita pelo governador. O cargo fica interinamente com o também secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella. Este texto foi alterado às 12h37 para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

22 Fevereiro 2007 | 11h30

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