Aldenio Soares
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Entenda por que a violência aumentou em Roraima e caiu em Pernambuco

No País, número de homicídios caiu 10%, mas mortes causadas pela polícia subiu 20%

Cyneida Correia e Igor Ruann, Especiais para o Estado

11 de setembro de 2019 | 14h00

BOA VISTA e RECIFE - A guerra entre facções criminosas vem transformando Roraima. A região, que sofre com o déficit de serviços públicos e alta populacional decorrente da migração venezuelana, viu as taxas de homicídio triplicarem. Agora é, proporcionalmente, o Estado mais violento do País. O dado foi divulgado nesta terça-feira, 10, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

L.S., de 24 anos, quase se tornou mais um dessa estatística. O jovem sobreviveu após quase ter sido degolado por uma rixa de futebol, envolvendo um integrante de facção criminosa. Ele resolveu sair de Roraima após ter sido atacado por mais de dez integrantes de facção. “Achei que era brincadeira e só quando me golpearam no pescoço e vi o sangue que percebi. Consegui sair correndo.”

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Herbert Amorim, a polícia tem trabalhado para combater o aumento da violência, mas falta efetivo. "Sem um novo concurso público, a gente não tem condições de fazer nosso trabalho”

Quadro revertido. Em Pernambuco, na outra ponta, houve uma das maiores quedas de assassinatos do País, com redução de 23,4% na quantidade de homicídios registrados, embora o total (4.170 homicídios) ainda seja considerado elevado. 

Antonio de Pádua, secretário de Defesa Social de Pernambuco, destaca a contratação de 7 mil novos agentes para Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica. Em 2017, o Estado respondia por metade da alta de homicídios no País. Agora, já são 22 meses seguidos de redução nas estatísticas. 

Apesar de o combate e repressão à violência serem funções, majoritariamente, do governo estadual por meio das polícias, as prefeituras também podem ajudar. É o que defende Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife. “Aqui no Estado, era muito mais pontual o papel das prefeituras na prevenção da violência. Agora, elas começaram a entender melhor sua função preventiva."

O carro-chefe da pasta municipal é o Compaz, o Centro Comunitário da Paz, que já conta com cinco unidades na capital. “Só a política da mão dura não resolve. O Compaz é uma política de prevenção social no eixo da educação, cultura e profissionalização do jovem”, explica Cavalcanti. Pela promoção da cidadania entre moradores de regiões carentes da cidade, o projeto busca prevenir a violência e o uso de drogas.

Washington das Neves, de 36 anos, ilustra políticas preventivas adotadas, como o Centro Comunitário da Paz. “Vim jurado de morte", conta ele, envolvido com tráfico de drogas desde a infância e egresso do Sergipe. "Foi pelas artes marciais e pelo Centro que me tornei outra pessoa”, diz ele, hoje faixa preta e instrutor de jiu-jítsu.

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