Enterrada menina que morreu sem conseguir vaga em UTI

Foi enterrada hoje a menina Taís Morais Bueno, de nove anos, que morreu na madrugada de sábado, dentro de uma ambulância, depois de não conseguir vaga em uma Unidade de Tratamento Intensivo (CTI) infantil, no Sul de Minas Gerais.Taís chegou ao Hospital Nossa Senhora da Piedade, em Elói Mendes (a 330 Km de Belo Horizonte), no final da tarde de sexta-feira, depois de cair de um sofá. Ela foi atendida pelo plantonista Newton Campos, que diagnosticou traumatismo craniano e recomendou uma cirurgia de urgência.Como não havia vaga na UTI do hospital, a menina teve de ser transferida para outros hospitais da região. Ela morreu a caminho de Alfenas, dez horas depois de receber o primeiro atendimento. A polícia instaurou inquérito para investigar o caso."Esse é o quadro da saúde pública no Brasil. A cada dia perdemos mais pacientes por falta de estrutura em nossos hospitais", afirmou o médico que prestou o primeiro atendimento. A mãe de Taís, que acompanhou de dentro da ambulância todo o sofrimento da filha, culpou sua condição financeira pela morte da filha. "Quando se tem dinheiro, tudo é resolvido rapidamente. Mas como não temos, fui obrigada a ver de perto a morte de minha filha, sem poder fazer nada", desabafou Valdirene de Jesus.A secretária de Saúde de Elói Mendes, Márcia Siqueira, não quis se pronunciar sobre o assunto. Já o prefeito da cidade, Paulo Roberto Belato, que passa férias no Rio de Janeiro, responsabilizou o hospital pela morte da menina. De acordo com dados do Ministério da Saúde, até setembro passado, existiam 117 leitos de UTI para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) do Sul de Minas Gerais. Mas, conforme a Secretaria Estadual de Saúde existem somente 35 vagas.

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2004 | 17h32

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.