Enterrado corpo de fotógrafo assassinado na zona norte do Rio

André Az voltava do jornal 'O Dia' quando foi atingido por três tiros na Avenida Brasil; polícia suspeita de assalto

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2009 | 14h52

O corpo do fotógrafo André Azevedo, conhecido como André Az, de 34 anos, foi enterrado na manhã desta sexta-feira, 27, no Cemitério do Irajá, zona norte do Rio. Ele havia saído da sucursal do jornal O Dia, na Baixada Fluminense, e retornava para casa, na capital fluminense, em sua moto, quando foi atingido por três tiros na Avenida Brasil. A polícia trabalha com a hipótese de tentativa de assalto.   A Polícia Militar fez na quinta-feira uma operação na favela Cidade Alta, em Cordovil, na tentativa de identificar os criminosos que atiraram no fotógrafo na noite de quarta-feira na altura da Penha. Depois de atingido, André perdeu o controle da moto que pilotava, bateu contra a mureta de proteção da avenida, foi arremessado na pista sentido contrário e atropelado. Morreu no local, por volta das 19 horas. Até a noite de quinta-feira, ninguém havia sido preso e nenhum suspeito tinha sido identificado.   Na operação, a PM apreendeu um Honda Civic roubado onde foram encontradas três granadas, além de pequena quantidade de cocaína e maconha. A polícia informou que investiga a possibilidade de André ter tentado fugir de uma tentativa de assalto, mas não descarta nenhuma hipótese. Na manhã da quarta-feira, também na via expressa, quatro criminosos mataram o soldado da Polícia Militar Vanderlon Abreu da Paixão durante uma suposta tentativa de assalto. Segundo a 22ª Delegacia de Polícia, outros três assaltos foram registrados na região no mesmo dia.   O secretário José Mariano Beltrame determinou que a PM reforce o efetivo do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais e que faça ajustes no patrulhamento ostensivo. "Existe projeto para a implantação de câmeras fixas na Avenida Brasil, porém isto demanda algum tempo". Segundo informações do jornal O Dia, o fotógrafo havia deixado a sucursal da empresa na Baixada Fluminense horas depois de cobrir a apuração das notas das escolas de samba do grupo especial na quadra da Acadêmicos da Grande Rio, em Duque de Caxias. Ele seguia para sua casa, no Grajaú, zona norte.   Dezenas de amigos e familiares acompanharam sepultamento. Foto: Marcos D'Paula/AE   O Jornal O Dia divulgou nota em que lamentou "profundamente a morte" do fotógrafo, considerado "ótimo profissional e colega". "A direção da empresa está tomando todas as providências de apoio à família e cuidando, junto à Secretaria de Segurança Pública, para que as circunstâncias de sua morte sejam apuradas com rigor e rapidez", informou a nota.   O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio (Arfoc) divulgaram nota em conjunto em que lamentaram a morte de Azevedo "criticam a política de segurança pública no Rio de Janeiro e alertam para o papel da imprensa diante da violência."   A morte do fotógrafo aconteceu quase um ano depois de uma equipe composta por uma repórter, um fotógrafo e um motorista de O Dia ter sido torturada durante a realização de uma reportagem sobre a atuação das milícias na favela do Batan, em Realengo, na zona oeste. Eles trabalhavam disfarçados na favela, onde moraram por duas semanas até serem descobertos. Por segurança, a equipe continua afastada do jornal.

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