Enterrado corpo de soldado morto após ser arrastado por 15 km

O motorista da caminhonete que atropelou Leonardo Sales da Silva, em Campo Grande, continua foragido

João Naves de Oliveira, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2008 | 17h26

O corpo do soldado do Exército Leonardo Sales da Silva, de 19 anos, morto depois de ser atropelado e arrastado por 15 quilômetros em Campo Grande, foi enterrado na tarde deste domingo, 8, na capital sul-mato-grossense. O trabalhador rural Fagner Gonçalves, de 26 anos, motorista do veículo que atropelou o militar continuava foragido até o início desta tarde. A polícia não tinha pistas dele.   Segundo o delegado Roberval Maurício, responsável pela investigação, o período para que Gonçalves poderia ser preso em flagrante venceu às 13 horas deste domingo, mas existem duas ordens de prisão contra o acusado, sendo uma por agressão e outra por falta de pagamento de pensão alimentícia.   Todas as delegacias da Polícia Civil, polícias rodoviárias federal e estadual receberam foto e informações sobre o procurado. Além desse procedimento, parentes, amigos e colegas do 18.º Batalhão Logístico do Comando Militar do Oeste, onde a vítima servia, estão ajudando as autoridades nesse sentido.   O crime, foi assistido por dezenas de pessoas que disseram ter ficado perplexas, com o comportamento do trabalhador rural. Jaime Oliveira da Costa, de 37 anos, vigia de uma chácara de rodeios, no bairro Parque Lageado, onde aconteceu o atropelamento, afirmou que "o motorista já saiu em alta velocidade de dentro da chácara".   Para o vendedor autônomo, Vladimir Pinheiro, de 26 anos, o acidente pode ter sido proposital. "O caminhão avançou sobre um grupo de seis rapazes, entre eles estava Leonardo. Em seguida voltou de marcha ré e derrubou o soldado. Um tanto de gente gritava para o motorista frear, outro tanto para que corresse e o veículo saiu arrastando a vítima embaixo da carroceria".    O veículo, uma caminhonete modelo F-400, com carroceria de madeira, desapareceu distanciando os gritos de pedido de socorro de Sales e das dezenas de testemunhas. Conforme acreditam algumas pessoas, tudo não passou de dois ou três minutos. Uma delas, o estudante Wellington Carvalho Rodrigues, de 19 anos, pediu carona em uma motocicleta, e seguiu os rastros deixados pelo caminhão, como manchas de sangue, pedaços de pele e cabelos.   O corpo do soldado foi deixado no bairro Itamaracá, a 15 quilômetros do lugar onde aconteceu o atropelamento, periferia da cidade. A caminhonete foi localizada no período da tarde na zona norte, oito quilômetros distante do bairro Itamaracá. Depois de analisado por peritos, foi constado que Leonardo ficou preso na suspensão traseira do veículo, pelas pernas e foi arrastado com a cabeça, braços e parte do corpo, pendurados.   O corpo do soldado Leonardo Sales, foi sepultado às 13h30 com o comparecimento de cerca de 200 pessoas que permaneceram silenciosas. Sales era noivo e terminaria o segundo grau este ano. Um grupo de 40 militares do Exército realizou o toque de corneta e bateram continência como última homenagem ao soldado.   A vítima ajudava no sustento da casa onde morava com a mãe, o padrasto e quatro irmãos. Era católico praticante e bastante tranqüilo, segundo informações dos vizinhos.

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