Entidades demonstram temor pelo futuro do carnaval carioca

Autoridades ligadas ao turismo e ao comércio do Rio de Janeiro expressaram nesta segunda-feira o temor que os episódios de violência na cidade possam trazer prejuízo ao turismo na cidade no futuro próximo. ?Nesse momento em que recebemos uma quantidade recorde de turistas para o Carnaval, vendemos ingressos como nunca e os hotéis estão lotados, certamente é algo que traz prejuízo para a cidade?, afirmou o prefeito da cidade, César Maia.O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, disse que a imagem do Rio de Janeiro é muito importante para o desenvolvimento turístico do Brasil e lamentou os episódios de violência ocorridos hoje na capital fluminense. "É uma coisa preocupante para os brasileiros. É a luta que temos que enfrentar com o crime organizado e os governos dos estadostêm que se dar as mãos para isso".Mares Guia ressaltou que o Rio de Janeiro é a porta de entrada do turista do Brasil e portanto a importância da segurança na cidade é "óbvia". "Qualquer notícia de uma bomba na Vieira Souto, no dia seguinte está na imprensa internacional", disse.O presidente da Riotur, José Eduardo Guinle, endossou a opinião de Maia. ?Não há dúvidas de que um evento como esse pode prejudicar consideravelmente a cidade. O turismo é uma atividade que depende do boca-a-boca, e quem presenciou isso pode vir a fazer uma propaganda negativa.? Sua esperança é que o Carnaval consiga reverter essa imagem. ?No Carnaval, as autoridades de segurança normalmente se mobilizam e há um histórico de paz que, espero, consiga a reversão dessa imagem?, disseGuinle. O mais grave, para ele, foi que as ações se espalharam por toda a cidade e, principalmente, pela zona sul, área freqüentada pelos turistas a lazer. De acordo com o presidente da Riotur, o visitante potencial maisafetado por essa impressão negativa é o brasileiro, que acompanha com mais atenção as notícias do Rio. Entre os estrangeiros, a preocupação é que a violência assuste os turistas que têm procurado lugares mais tranqüilos para descansar por causa do medo de atentados terroristas.Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, a segurança pública é tão importante quanto as reformas tributária e previdenciária. Gouvêa Vieira defendeu que o governo federal e os governos estaduais se empenhem também nesta questão e articulem "a Polícia Federal, assecretarias de segurança, as forças armadas e o que mais fornecessário". Ele observou que a segurança é fundamental para a economia e para o bem-estar dos brasileiros e que pela proximidade com o carnaval e pelo início do governo Lula. Assim como Mares Guia, ele acha que "o Brasil está em todos os jornais do mundo", o que amplifica os prejuízos à imagem do País. Na mesma linha, a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro, observa que pelo fato de faltar pouco para o Carnaval, o turismo é grandemente prejudicado e por muito tempo, não sendo por isso possível calcular os prejuízos causados a esse setor. A entidade calcula que o comércio deixou de faturar cerca de R$ 50 milhões em função da violência desta segunda-feira no Rio.

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