Entidades oferecem R$ 12 mil a quem entregar atiradores

Soldados mortos em queda de helicóptero foram enterrados; familiares protestam contra governo do Rio

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

19 de outubro de 2009 | 08h14

 

Policiais recolhem corpo de um dos mortos durante o conflito no Morro dos Macacos

 

RIO - Entidades estão oferecendo R$ 12 mil por informações que levem à prisão os responsáveis pelos disparos que mataram dois policiais e derrubaram o helicóptero Fênix 3 da Polícia Militar na manhã de sábado, 17, durante a operação no Morro dos Macacos, na zona norte do Rio.

 

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"Os tiros que atingiram a aeronave são de armas com grosso calibre. Na favela, todos sabem quem opera esses armamentos", disse o presidente da Associação dos Ativos, Inativos e Pensionistas da Polícia Militar do Brasil (Assinap), Miguel Cordeiro, que ofereceu R$ 10 mil pelos atiradores. O Clube de Cabos e Soldados ofereceu R$ 2 mil pelos assassinos e pediu em nota o afastamento da cúpula da Segurança Pública.

No domingo, 18, os soldados atiradores do Grupamento Aéreo Marítimo da PM Marcos Stadler Macedo, de 39 anos, e Edinei Canazarro, de 29, foram enterrados no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio. Os parentes de Canazarro fizeram críticas ao governo do Estado.

"Eles fazem o teatro deles para trazer a Olimpíada para o Rio, mas não equipam os policiais, que seguem para a morte quando vão ao combate em áreas de risco", protestou a tia de Edinei, Rosa Maria Barbosa. "Existe verba para a Copa e para a Olimpíada. Mas não tem dinheiro para equipar a polícia e dar vida digna a quem trabalha para a segurança do povo."

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse ontem que o helicóptero da PM, o primeiro a ser abatido por traficantes no Rio, provavelmente foi alvo de armas longas, consideradas antiaéreas. Só após a perícia será possível determinar o calibre da arma que abateu o helicóptero modelo Esquilo. A licitação para compra de outro aparelho deve ser concluída em novembro.

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PROTESTOS

Após o sepultamento de Canazarro, que era filho único e estava casado havia cinco meses, o tio dele, César Francisco Canazarro, voltou a protestar. "Cadê o governador?", perguntou. "Eles dão o aumento de 5% para a polícia e não dão qualquer equipamento aos policiais?"

Helicópteros da PM e da Polícia Civil fizeram voos rasantes e jogaram pétalas de rosa durante o cortejo fúnebre.

"A família foi informada de que ele foi baleado dentro do helicóptero e já estava morto quando a aeronave caiu", disse o comerciante Paulo Stadler, de 69 anos, tio de Marcos. O soldado deixou uma filha de 3 anos. A mulher desmaiou várias vezes, foi levada a um hospital, mas retornou para a cerimônia.

Dos quatro tripulantes do helicóptero que sobreviveram, dois já tiveram alta, entre eles o piloto, capitão Marcelo Vaz, que foi chamado de herói pelo comandante da PM, Mário Sérgio Duarte. Ele esteve no enterro dos colegas.

Com as duas mãos enfaixadas por causa de queimaduras, cabo Gonçalves, tripulante do helicóptero Fênix 2, estava emocionado no enterro. Ele foi o primeiro a prestar socorro às vítimas. "Pelo rádio, o piloto só nos relatou o fogo na aeronave e depois foi a queda. Nós aterrissamos ao lado deles no campo de futebol e prestamos socorro", afirmou. "Esquecemos até do risco de novos tiros."

Ele contou que o primeiro a ser socorrido foi o cabo Izo Gomes Patrício, de 36 anos, que teve 90% do corpo queimado e está em estado grave. Em seguida, foram retirados o capitão e copiloto Marcelo de Carvalho Mendes, de 29 anos, com um tiro de fuzil no pé, e o cabo Anderson Fernandes dos Santos, de 34 anos, que sofreu queimaduras.

 

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