Entidades repudiam demora da Justiça em restabelecer liberdade

Cavalcante, presidente nacional da Ordem dos Advogados, lembra que [br]a democracia não sobrevive sem liberdade

, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

A indignação com a demora da Justiça restabelecer a liberdade de imprensa, retirando a censura ao Estado no caso da Operação Boi Barrica, foi a tônica do discurso das principais entidades ligadas à liberdade de expressão e à cidadania ouvidas pela reportagem.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional, Ophir Cavalcante, lembrou que o Estado Democrático de Direito necessita da liberdade de imprensa. "Não há democracia que tenha se fortalecido sem liberdade de imprensa. Estamos vivendo exemplos muito ruins na América Latina. Se tolhermos a imprensa, mais restrições teremos à liberdade do voto e à autonomia das instituições. A liberdade de imprensa tem de ser plena", disse.

Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), por sua vez, afirmou que a ANJ e a democracia brasileira esperam a mais rápida resolução do problema. "É profundamente lamentável que haja uma data como esta, em que se lembram 300 dias sob censura de um dos mais importantes veículos de comunicação do País. A nossa expectativa é que a Justiça resolva esta questão, devolvendo a liberdade de expressão ao Estado."

"Vergonha". O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo, classificou de "um escândalo" os 300 dias de censura.

"Considero vergonhoso que esta sentença não tenha sido revista pela Justiça. O mais curioso é que se trata do Estado, jornal de grande influência, e podemos pensar o que ocorreria se o caso envolvesse um jornalista autônomo ou uma empresa jornalística de pequeno porte", afirmou Murillo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.