Entrada de ilegais por Foz cai 70%

Mas as apreensões de itens falsificados e contrabando em todo o País mais do que dobraram no ano passado

BRUNO PAES MANSO e EDUARDO NUNOMURA, O Estadao de S.Paulo

07 Fevereiro 2009 | 00h00

Houve redução de 70% na entrada de produtos piratas entre 2004 e 2007 por Foz do Iguaçu, segundo o Conselho Nacional de Combate à Pirataria, órgão do Ministério da Justiça. O resultado se deve ao aumento da fiscalização na Ponte da Amizade. Isso não significa que diminuiu o fluxo de muambas. Tanto que as apreensões em todo o País saltaram de R$ 452 milhões em 2004 para R$ 1,2 bilhão em 2008. O número de prisões se multiplicou por 30.Nesse cenário, São Paulo centralizou a distribuição de produtos falsificados e contrabandeados, mas outras capitais como Brasília, Rio e Porto Alegre viram seus camelódromos crescerem sem controle. Até mesmo a tradicional Feira de Caruaru, em Pernambuco, foi invadida por piratas.No Paraguai, Salto Del Guairá, vizinha de Guaira (PR) e de Mundo Novo (MS), virou a nova porta de entrada. De olho nesse potencial, o irmão do empresário Law Kin Chong abriu um shopping popular de 30 mil metros quadrados na cidade paraguaia, segundo a Polícia Federal (PF) de Guaira. O América Kin tem duas grandes lojas de 5 mil m² só com mercadoria chinesa. "Eles vendem produtos baratos e evitam falsificação de marcas famosas", diz o delegado-chefe da PF Érico Saconato. O advogado de Law Kin Chong, Miguel Pereira Neto, afirma que Law não fala com o irmão há 12 anos e nada tem a ver com o negócio paraguaio.De Salto Del Guairá, a PF estima que saiam de 15 a 20 carretas de cigarro por dia - com cargas avaliadas em R$ 300 mil -, contrabandeadas para o Brasil. Em 2008, paraguaios festejaram que a cidade superou Pedro Juan Caballero e se tornou o segundo polo de vendas no país, atrás de Ciudad Del Este.A rota e os esquemas de transporte usados pelos contrabandistas tendem a ser os mesmos dos traficantes de droga e arma. Josimar Marques Soares, o Polaco, pivô da maior chacina do Brasil, ocorrida em Guaira em setembro, quando 15 pessoas morreram, era investigado pela PF por suas atividades como intermediário e transportador de drogas, armas e contrabandos para centros brasileiros via Paraguai.No Brasil, os escritórios de advocacia têm enorme dificuldade em combater os piratas. "Sabemos onde estão sendo produzidos, como chegam, fazemos apreensões todos os meses, mas é difícil combater o crime porque ele é de pequeno potencial ofensivo", explica o advogado Wellington S. de Oliveira, que representa as marcas Disney, Adidas, Reebok e Everlast, entre outras. Ainda que as empresas ingressem com uma queixa-crime, o falsário muitas vezes se livra pagando o delito com cestas básicas.Na semana passada, as entidades lamentaram o que consideram mais uma derrota no combate ao crime: um decreto federal proibiu fiscais da Receita, que patrulham as fronteiras, de usar armas. Resta denunciar. O Fórum Nacional contra Pirataria (FNCP) atende pelo número 0800-771-3627. "Se existe fila do INSS, é porque a Previdência tem cada vez menos contribuintes e a pirataria é parte do problema", diz Alexandre Cruz, do FNCP.

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