Entre as doenças, otite e hepatite

Pesquisas relacionam enfermidades a praias impróprias

O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 00h00

Apesar de estar presente nas fezes, a bactéria Enterococcus - cuja concentração na água é parâmetro para a Cetesb verificar a qualidade das praias - é inofensiva ao ser humano. A incidência dela, porém, indica a existência de coliformes fecais e de diversas outras bactérias e vírus que causam doenças.Os males mais comuns relatados por banhistas que usaram praias impróprias são a otite, espécie de inflamação dos ouvidos, gastroenterite, infecção que atinge o estômago e o intestino causando vômito e diarréia, e alguns tipos de hepatite."Há pesquisas da Cetesb, feitas por telefone com os banhistas, que comprovam a incidência dessas doenças coincidindo com a medição da balneabilidade das praias. Ou seja, locais considerados impróprios reúnem mais banhistas que apresentaram esses problemas depois", diz a bióloga Débora Orgler de Moura.O perigo de contrair doenças não é impedimento para que a família de Maria do Socorro Silva, de 39 anos, entre no mar do Gonzaguinha, praia da cidade de São Vicente, na Baixada Santista. Moradora de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, ela afirma que freqüenta a praia há nove anos."Essa plaquinha (vermelha, da Cetesb, indicando a contaminação) está ai há quatro, cinco anos, mas não dou bola. Eu, meu marido e meus filhos sempre entramos e nunca tivemos problema, nem micose", diz.A Praia do Gonzaguinha tem outro agravante sobre as demais: fica em uma baía fechada, o que dificulta muito a dissolução do esgoto que eventualmente acaba despejado na região.O bancário Flávio Figueiredo, de 47 anos, também estava com as pernas no mar impróprio enquanto brincava com o neto Pedro, de 3 anos. "Eu não tinha visto a placa, cheguei ontem de Ribeirão Preto", disse Figueiredo, afirmando que agora vai optar em montar a piscininha na varanda do apartamento que alugou para o neto se refrescar. "Ou podemos ir para outra praia, como Itanhaém, ou mesmo só ficar na areia, o que já vale a pena. Pelo menos a gente sai de casa", desabafa Figueiredo, sem saber que as praias de Itanhaém também estão impróprias.

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