Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Entre meio a tucanos, presidente é elogiada e cita ''pacto republicano''

Alckmin diz que ''período de disputa'' política está superado e cita ''espírito conciliador'' de Dilma; Serra não vai a evento

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

Num encontro recheado de simbolismo político em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin trocaram elogios, evidenciando a aproximação entre os dois e despertando polêmica em setores do PSDB e do PT.

Em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, para lançamento do programa Brasil sem Miséria, no Sudeste, Alckmin disse que o "período de disputa" política estava ultrapassado e o momento era de unir esforços. "Isso se deve ao seu patriotismo, generosidade e espírito conciliador", afirmou o tucano para Dilma. Os elogios causaram surpresa, inclusive nos tucanos presentes.

Alckmin e Dilma firmaram acordo de unificação dos programas de transferência de renda paulista e federal. Os beneficiados, cerca de 1 milhão de famílias, terão um mesmo cartão para sacar os recursos do Bolsa Família, do governo federal, e do Renda Cidadã, do Estado.

A ala do PSDB mais crítica ao governo federal, ligada ao ex-governador José Serra, não participou do encontro. O ex-candidato a presidente fora convidado, assim como o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) e o ex-governador Alberto Goldman. Nenhum deles compareceu. O prefeito Gilberto Kassab também não foi à reunião.

Os tucanos que não gostaram da aproximação de Alckmin com Dilma disseram que o governador mira a reeleição e, por isso, estaria em busca de recursos do governo federal. Em nome dessa estratégia, teria optado por um discurso pouco oposicionista, ignorando a discussão em torno da paternidade dos programas sociais - o PSDB diz que o Bolsa Família nasceu de iniciativas da era FHC, como o Bolsa Escola.

A avaliação também ressoou entre petistas, para quem o movimento de Dilma pode fortalecer ainda mais o PSDB no principal colégio eleitoral do País. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para o encontro, mas não compareceu - ele também fora chamado para a reunião com os governadores do Nordeste, no começo do mês, e não foi.

Parcerias. Alckmin tem orientando seus secretários a manter uma relação de proximidade com o Palácio do Planalto. Isso inclui intensificar as parceiras. O Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, contará com recursos do Estado, que dará aporte de até R$ 20 mil para aumentar o valor do imóvel financiado, que hoje é de R$ 65 mil.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também adotou a política de boa vizinhança na cerimônia de ontem. Foi ao encontro a convite de Alckmin, mas acabou no palco ao lado de Dilma, a pedido dela. A presidente iria deixar o palácio após a cerimônia, mas aceitou convite do governador para almoçar. Sentou-se, de novo, ao lado de FHC.

"O grande pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando hoje é um pacto capaz de transformar a realidade social que vivemos. Por isso queria também agradecer a presença do senhor presidente Fernando Henrique, por esse seu gesto", disse Dilma, minutos antes, na cerimônia, que teve a participação dos governadores do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e de Minas, Antonio Anastasia (PSDB).

Desde o primeiro mandato de Lula, o governo federal falava em unificar com os Estados o cadastro de beneficiados dos programas sociais. Houve, porém, resistência dos dois lados: nem Lula nem os governadores queriam deixar de exibir suas marcas sociais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.