Entre tucanos e petistas, Chalita volta aos holofotes

Fortalecido pela eleição de Alckmin e com bom trânsito no PT paulista, o segundo deputado mais votado de SP já vislumbra a eleição de 2012

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Reabilitado por Geraldo Alckmin (PSDB) e de volta ao centro de poder paulista, o vereador e deputado eleito Gabriel Chalita (PSB), de 41 anos, conseguiu um papel espinhoso na crônica política nacional: desfilar com desenvoltura entre tucanos e petistas. A 15 dias de tomar posse como segundo deputado mais votado do Estado, com 560 mil votos - atrás do fenômeno Tiririca (PR) -, Chalita começa a se vislumbrar como terceira via na sucessão de Gilberto Kassab (DEM) em 2012.

"É a volta dos que não foram", brinca um aliado ao comentar o "retorno", após o exílio político na gestão José Serra. Secretário da Educação de Alckmin entre 2003 e 2006, viu seus projetos Escola da Família e Escola de Tempo Integral não só esvaziados como bombardeados pelo Palácio dos Bandeirantes. Deixou o PSDB no começo de 2009, criticando Serra.

No PSB, partido da base dos governos federal e estadual, Chalita flerta com Dilma e Alckmin. Animado por petistas paulistas, mirou o Ministério da Cultura de Dilma, mas acertou secretarias do tucano. O secretário de Desenvolvimento Social, Paulo Barbosa, foi seu adjunto na Educação. Eloisa de Souza Arruda (Justiça) foi professora com Chalita na Escola Paulista de Direito. O secretário da Educação, Herman Voorwald, constava de uma lista feita pelo vereador com "sugestões" para a pasta.

Em jantar recente com um grupo petista, Chalita afirmou que pretende colaborar para que Alckmin dê a sua gestão um viés "mais para a esquerda". Disse que o governador construiu uma imagem muito conservadora e isso seria um impeditivo para deslanchar nacionalmente - em 2006, Alckmin queria Chalita coordenador do plano de governo na corrida pela Presidência.

"Tornou-se um problema para Alckmin ouvir o Chalita publicamente. Isso seria recebido como uma afronta pelos serristas", comentou um tucano. Há quase um mês, integrantes do partido reunidos numa homenagem ao ex-presidente FHC soltaram o verbo contra a proximidade Alckmin-Chalita e criticaram a suposta influência do vereador junto à primeira-dama, Lu Alckmin.

Nos bastidores, o vereador chegou a travar uma queda de braço com o presidente estadual do PSB, Márcio França. Tentou minar a indicação dele para o secretariado. França colheu assinaturas de parlamentares e prefeitos delegando a ele o poder para representar o PSB no governo. Virou secretário de Turismo. Asfixiado pelo poder de França no Estado, foi construir uma ponte com o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos (PE).

Chalita fortaleceu laços com diversos setores da Igreja, o que lhe rendeu frutos políticos. Amigo dos padres-cantores Fábio de Melo e Marcelo Rossi, venceu a resistência de setores mais progressistas. O padre Júlio Lancellotti não queria sua indicação para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal por avaliar que ele era ligado à direita. Hoje tem boa relação com o vereador.

O namoro com o PT começou pelas mãos do ministro Gilberto Carvalho e consolidou-se na campanha, ao aproximar os católicos de Dilma. Esteve por perto no tratamento de combate ao câncer e ganhou o apelido de Chalitinha. "Ele se tornou um interlocutor com esses setores, o que foi muito importante para nós na eleição", diz o vereador José Américo (PT).

Foi do PT paulista a articulação para entrar no PSB. Em 2012, petistas querem amarrar com o vereador uma chapa conjunta ou uma aliança no segundo turno. Alckmistas dizem que o PSDB terá candidato, mas o nome do "coração" do governador é Chalita.

"O mandato de deputado pode credenciá-lo para ser prefeito", disse o vereador João Antônio (PT), orientando de Chalita em mestrado.

Mas, enquanto a corrida municipal engatinha, o futuro deputado já tem nas mangas novo projeto para se dedicar: lançar mais um livro. Ao que tudo indica, o 53º .

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