Entre um desfile e outro, teste rápido de HIV

No segundo dia da semana de moda, começou uma campanha para diagnóstico do vírus da aids com entrega de resultado em 30 minutos

Renata Cafardo, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

O adesivo "sou fashion, fiz o teste" incorporou o modelito de mais de cem frequentadores e trabalhadores da São Paulo Fashion Week (SPFW) ontem. O adereço foi dado aos que se submeteram ao teste rápido para diagnóstico do vírus da aids, que começou a ser realizado no evento, de graça, e com resultado em menos de 30 minutos. Foi a primeira vez que o Ministério da Saúde fez uma campanha desse tipo em um evento de moda, que recebe 12 mil pessoas por dia.Os dois primeiros testes - uma picadinha no dedo - foram realizados ontem no próprio ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e na consultora de moda Glória Kalil. "Fazer ou não o teste está muito relacionado a ter oportunidade para isso. Por isso, estamos abrindo essa janela", diz Mariangela Simão, diretora do Programa Nacional de DST-Aids do ministério. "Todo mundo tem pavor desse teste, mas é importante e é um avanço não precisarmos esperar dias, angustiados, pelo resultado", afirmou Glória.Para se submeter ao exame, o interessado precisa apenas preencher uma ficha com dados pessoais, como nome e escolaridade. Um furinho no dedo, pouquíssimo sangue e o resultado é entregue individualmente por um técnico do ministério numa sala fechada. O exame tem a mesma qualidade e confiabilidade dos realizados em laboratório; a tecnologia foi desenvolvida no Brasil. "Por ter tantos formadores de opinião, a SPFW é um evento importante para divulgar esse método produzido por laboratórios públicos", disse o ministro. "Em caso positivo, é preciso encaminhar a pessoa para o serviço de saúde", disse o presidente do Fórum ONG/Aids, Rodrigo de Souza Pinheiro. Não foram divulgados os resultados dos testes feitos ontem. "Estou pensando o que fazer em caso positivo, vai me desestabilizar no meio do trabalho", disse a jornalista Carol Carvalho, de 24 anos, que, mesmo assim, resolveu realizar o exame ontem pela primeira vez. "Sempre acabava adiando porque tinha de ter um pedido do médico, tempo para ir ao laboratório."A estimativa do governo é a de realizar cerca de 700 exames nos seis dias de SPFW e, por isso, os números de ontem foram considerados positivos. Mais de 3 milhões de testes rápidos serão distribuídos aos Estados neste ano, o dobro do ano passado. O governo estima que 255 mil brasileiros nunca tenham feito o teste e por isso não saibam que têm a doença. O teste rápido inclui um kit com dois exames - em caso de discordância de resultado é feito um terceiro. O primeiro foi desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo e o segundo, pela Fundação Oswaldo Cruz, a partir de transferência de tecnologia de um laboratório estrangeiro.

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