Entregue primeira fase da reforma de capela de 1560

Edificação em taipa de pilão é a mais antiga do Estado

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2008 | 00h00

Foi celebrada ontem em São Miguel Paulista, com a presença do prefeito Gilberto Kassab (DEM), representantes do Exército e de empresas públicas e privadas, a primeira fase da restauração da Capela de São Miguel Arcanjo, a mais antiga edificação em taipa de pilão do Estado de São Paulo. As obras tiveram início há 3 anos e consumiram R$ 3 milhões, principalmente de recursos federais - a Petrobrás é a principal patrocinadora. A meta agora é obter mais R$ 2 milhões para a segunda fase do projeto, que inclui a restauração de 17 obras de arte, a criação de um museu aberto e a retomada dos trabalhos litúrgicos.A capela de São Miguel e a de Nossa Senhora de Pinheiros foram construídas pelos jesuítas no mesmo ano, em 1560, para abrigar os índios que deixavam a vila de São Paulo de Piratininga por temer a escravização pelos colonizadores portugueses. "Por isso dá para dizer que os bairros de São Miguel Paulista, que era a vila de São Miguel de Urai, e Pinheiros são irmãos gêmeos. Um ficou muito rico e o outro pobre", comparou o advogado e pesquisador do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Sylvio Bomtempi, autor de livro sobre as origens do bairro da zona leste.Em 1622 a capela passou por uma ampliação que a deixou no formato que ela tem hoje. A última restauração tinha sido realizada entre 1939 e 1940. Nos últimos anos, a capela dividiu a praça que ocupa com grandes shows de forró. Em um deles, cerca de 10 anos atrás, o telhado desabou quando parte do público escalou a igreja para ter melhor visão do espetáculo - os shows estão proibidos ali desde o passado.A atual restauração foi elaborada e executada pelo mesmo grupo que recuperou a catedral da Sé e o Mosteiro de São Bento, no Rio. Houve o cuidado de analisar no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) a composição original da parede e da madeira da capela para a escolha das árvores empregadas e do solo para fazer os tijolos."Foi um trabalho artesanal, e a história dessa igreja, com mais de 400 anos, se confunde com a história da cidade", disse o engenheiro Ronaldo Ritti Dias, diretor da Concrejato. Uma das surpresas encontradas durante as obras, segundo o engenheiro, foi a descoberta de pinturas indígenas do século XVII nas paredes escondidas sob os altares de madeira construídos no final do século XVIII. Outra foi uma imagem de São Miguel Arcanjo feita em papel maché. No processo de recuperação da obra, os restauradores descobriram que ela tinha sido feita sobreposta a outra peça, feita de terra no século XVI, também de São Miguel.Uma das principais preocupações agora, segundo a diretora da Formarte, Rosana Delellis, é com a segurança do futuro museu. "Não adianta recuperar todas as 17 obras da capela para depois roubarem", disparou Rosana, que também ficará responsável por formar o quadro técnico e administrativo do museu."Vamos treinar pessoas do bairro, principalmente jovens. A capela ultrapassou muito seu caráter religioso. Com a inauguração do museu a vida cultural aqui vai pulsar e a região vai atrair os olhares da cidade pra cá", completou o padre Geraldo Antonio Rodrigues, que quer celebrar uma missa todo dia 29 com o uso do latim, órgão mecânico e canto gregoriano. Segundo o padre e os responsáveis pelas obras, a capela estará aberta ao público no fim do ano se a verba para a segunda fase do projeto de restauração for obtido até setembro.

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