ENTREVISTA-Gol vê pressão de baixa sobre passagens aéreas

A Gol está vendo os preços de passagens aéreas sob pressão em 2010 e estima que as tarifas deste ano ficarão na mesma média de 2009, afirmou o presidente da companhia aérea, Constantino de Oliveira Júnior.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

04 de fevereiro de 2010 | 14h52

"Os preços continuam sob pressão de baixa. Acredito que eles vão ficar na mesma média de 2009", afirmou o executivo à Reuters em entrevista por telefone na noite de quarta-feira.

Constantino Júnior está em Nova York para participar de conferência do Raymond James, nesta quinta-feira.

O setor aéreo brasileiro passou por forte aumento na demanda de passageiros no final de 2009, impulsionada por promoções e acertos das companhias com instituições financeiras que permitiram o parcelamento de passagens em até 60 meses em alguns casos.

O presidente da Gol evitou fazer projeções sobre a demanda esperada pela empresa em 2010, mas lembrou que o segundo semestre de 2009 apresentou um desempenho "bastante forte".

Somente em dezembro, a demanda do mercado doméstico cresceu quase 38 por cento sobre o mesmo período de 2008, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com o impulso do final do ano passado, após um primeiro semestre lento, 2009 registrou a maior demanda por passagens aéreas desde 2005 no país.

SMILES

O presidente da Gol disse que sua empresa não prepara uma "resposta" para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da unidade de gestão de redes de fidelidade e milhagem da rival TAM, Multiplus.

A ação da Multiplus, com estreia na Bovespa na sexta-feira, saiu a 16 reais, abaixo da faixa estimativa feita pelos coordenadores no prospecto da operação, de 18 a 24 reais.

Na avaliação de Constantino Júnior, a rede Smiles, maior programa de milhagem da América Latina, com 6,5 milhões de clientes contra 6,3 milhões da Multiplus, ainda tem "potencial para agregar mais valor".

Segundo ele, a Gol não tem em seus planos uma eventual cisão do Smiles para uma oferta de ações no mercado.

"Não está em nossos planos um 'spin off' do Smiles ou de qualquer outra unidade da Gol agora, nem nos próximos cinco anos", cravou Constantino Júnior.

O objetivo da empresa após uma revitalização do Smiles e de sua malha de voos ao longo de 2008 e 2009 é ampliar parcerias do programa com empresas que compram milhas antecipadamente para oferecer como benefício de fidelidade a seus clientes.

PARCERIAS

Constantino Júnior lembrou os acordos da Gol com Bradesco e Banco do Brasil, que lançaram cartões de crédito com a marca Smiles que permitem parcelamento de passagens e ajudaram a engordar o caixa da companhia aérea em cerca de 250 milhões de reais no ano passado.

No mercado doméstico, a Gol está respondendo aos avanços da TAM em aviação regional também com parcerias, com empresas menores como a Air Minas Linhas Aéreas, em Minas Gerais.

A TAM anunciou a compra da Pantanal no final de 2009 com objetivo de criar uma unidade para explorar a aviação regional fora dos grandes pólos de tráfego como São Paulo e Rio de Janeiro.

No exterior, a Gol --segunda maior companhia aérea do Brasil-- está se concentrando em rotas no Caribe, que "abrem perspectivas para novas bases na região e na América Central", segundo Constantino Júnior.

A Gol está operando voos próprios do Brasil para Curaçao, Aruba e Punta Cana (República Dominicana). Na América do Sul, "os voos estão fortes. Está superada a questão da gripe suína e a crise financeira", afirmou o executivo.

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