ENTREVISTA-Medidas internas levarão Gol à recuperação

A recuperação nos indicadores da Gol prevista para o segundo semestre do ano virá de mudanças internas na companhia aérea, e não da recuperação de fatores externos que levaram a empresa ao pior resultado trimestral desde a sua criação.

CAROLINA MARCONDES, Reuters

15 Agosto 2012 | 12h32

A readequação da malha e a consequente redução do número de funcionários e estratégias comerciais para atrair tipos específicos de clientes estão entre as medidas que poderão trazer um alívio à companhia, segundo o presidente Paulo Sérgio Kakinoff.

"No segundo semestre os indicadores externos não devem melhorar... temos uma expectativa de mudança no cenário, mas não no curto prazo", disse o executivo em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Segundo ele, no segundo trimestre a Gol foi negativamente afetada pelos custos das demissões realizadas na primeira metade do ano, "mas os efeitos positivos na redução de custos nós veremos no terceiro e no quarto trimestre."

No final de junho, a Gol anunciou o plano de reduzir 2,5 mil vagas neste ano, com cortes, congelamento e não reposição de vagas. A empresa considerou a medida necessária para "adequar-se à nova realidade do mercado, manter seu plano de negócios disciplinado e a sustentabilidade de sua operação."

"Essas demissões são o suficiente para alcançar os resultados que projetamos para o ano... o segundo semestre será influenciado pela redução de custos, racionalização da malha, com a redução do número de voos que gerou grande parte das demissões", explicou Kakinoff.

Além disso, o presidente afirmou que o terceiro trimestre, sazonalmente mais fraco para a atração de passageiros de turismo, deve representar a adoção de uma política comercial para viajantes corporativos.

A Gol estuda ainda a possibilidade de novos voos internacionais regulares. "Existem estudos em andamento para a malha internacional dentro da característica da Gol, que é a expansão geográfica dentro do Cone Sul", explicou o executivo, sem dar mais detalhes.

Apesar da perspectiva positiva para a segunda metade do ano, o presidente da Gol evitou traçar uma projeção para 2013. "Nós estamos vivendo um momento de extrema volatilidade... é difícil fazer uma previsão de médio e longo prazo", disse Kakinoff.

PIOR TRIMESTRE

A segunda maior companhia aérea do país encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de 715,1 milhões de reais, praticamente o dobro do resultado negativo apurado um ano antes, de 358,7 milhões de reais.

Analistas consultados pela Reuters estimavam, em média, prejuízo líquido de 292,1 milhões de reais no segundo trimestre.

Os altos custos com combustíveis e a desvalorização do real em relação ao dólar fizeram a Gol marcar o quinto trimestre consecutivo de perdas.

"A gente atribuiu (o resultado negativo) ao combustível a ao câmbio, mas também existem dois freios muito importantes que fizeram esse ser o trimestre mais adverso da história da Gol", disse o presidente, que assumiu o cargo em junho após o então presidente e fundador da companhia, Constantino de Oliveira Junior, deixar o cargo.

Os dois outros fatores negativos, segundo Kakinoff, são a própria desaceleração da economia brasileira, que afeta a demanda por viagens aéreas, e o forte crescimento de 35 por cento nas taxas aeroportuárias no segundo semestre.

"Além disso há a sazonalidade, o segundo trimestre é mais fraco, e isso afetou o setor como um todo."

Quando divulgou seus resultados trimestrais na noite de segunda-feira, a Gol também revisou sua expectativa de demanda no mercado doméstico em 2012 para crescimento entre 6 e 9 por cento, contra expectativa anterior de expansão de 7 a 10 por cento. Além disso, a empresa reduziu sua estimativa de aumento de oferta de assentos este ano.

"Por hora vamos manter o guidance, mas tudo é possível", completou o presidente.

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