Entrou a meio-campo que carrega a bola sozinha até o ataque

Brasília tem dificuldade de se adaptar à troca de um presidente que "tocava de ouvido" por uma que lê todas as notas da partitura.

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2011 | 00h00

O que para Luiz Inácio Lula da Silva era intuição, para Dilma Rousseff é um processo de mascar detalhes até chegar à decisão. Saiu o toque de primeira, entrou uma meio-campista que carrega a bola sozinha até o ataque.

Se ministros e parlamentares reclamam de Dilma ser "fominha" e atrasar o ritmo do governo, oito anos atrás uma das perguntas típicas quando Lula assumiu a Presidência era: "Quantas páginas você acha que ele lê por dia?" A crítica embutida era que o presidente não sabia o que assinava. Delegava o trabalho burocrático e só gostava de fazer discursos de improviso para audiências cativas. Embora fosse parte da verdade, não era toda.

Governar é necessariamente um trabalho de equipe, mas decidir é pessoal e intransferível.

Nas palavras de Dilma, relatadas pelo jornalista Jorge Bastos Moreno, em O Globo: "Passei a conviver com a decisão solitária. Presidente tem que decidir e ser responsável pela decisão. É o momento grave, importante, que eu tenho comigo mesma. Posso ouvir e ouço, mas a decisão é minha. Essa é a maior responsabilidade do presidente da República: saber decidir."

É o estilo Dilma. A presidente da República poderá moldar-se às pressões, ficar mais ágil com a prática, amadurecer. Afinal, a inexperiência é o único defeito que não piora com o tempo (apud Roberto Campos).Mas a decisão presidencial continuará sendo solitária.

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