Envenenamento mata duas crianças no Ceará

Médicos acreditam que o mais provável é que elas tenham ingerido inseticida ou raticida

Carmen Pompeu, da Agência Estado,

07 de julho de 2008 | 17h57

Duas crianças morreram e uma outra está internada com suspeita de envenenamento provocado pela planta hortênsia ou por raticida do tipo "chumbinho". Elas haviam sido vistas por vizinhos, brincando de casinha, na rua onde moravam, domingo à tarde, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Alguns moradores acreditam que elas tenham ingerido partes da planta. Os médicos do Instituto Dr. José Frota (IJF), acreditam que o mais provável é que elas tenham ingerido inseticida ou veneno do tipo "chumbinho", que é usado para matar ratos.   Miquéias Vieira de Souza, de cinco anos, morreu no hospital Santa Terezinha, em Caucaia. E Ingrid Farias Rodrigues, de sete anos, logo depois de chegar ao Instituto Dr. José Frota, em Fortaleza. Gabriela, oito anos, irmã de Miquéias, está internada nesse mesmo hospital e não corre mais risco de vida.   Rosângela de Souza Melo, mãe de Miquéias e Gabriela, disse, em entrevista a um jornal local, que somente no hospital ficou sabendo que as três crianças tinham sido envenenadas. Abalada com a morte do filho mais novo, que foi enterrado nesta segunda-feira, 7, ela não quis falar sobre o assunto.   A planta, bastante usada em ornamentação e cultivada em jardins, segundo o pediatra Natanael Charles Cruz, é altamente venenosa. De acordo com o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), do IJF, as partes tóxicas da hortênsia são folhas e flores. Os sintomas de envenenamento são: cianose, convulsões, dor abdominal, flacidez muscular, letargia, vômitos e coma.   Luciana Soares, funcionária do Ceatox, confirmou que, dependendo da dose e do tempo até ser prestado o socorro, a hortênsia pode levar até a morte. Mas, segundo ela, exames feitos por Gabriela, a única sobrevivente das três crianças, não confirmaram envenenamento por hortênsia. "Temos quase certeza que não foi a planta a causa do envenenamento", disse a plantonista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do IJF, Selma Parente.

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