Envio de lixo ao Brasil é 'racismo ambiental', afirma Carlos Minc

Ministro quer discussão sobre o envio de lixo de países ricos para nações em desenvolvimento

Rejane Lima, O Estado de S. Paulo,

23 Julho 2009 | 19h23

O Brasil pretende protagonizar uma discussão mundial sobre o envio de lixo de países ricos para países em desenvolvimento, anunciou nesta quinta-feira, 23, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O anuncio foi feito após Minc vistoriar os contêineres com lixo inglês encontrados no Porto de Santos nas últimas semanas. O ministro classificou a prática de "racismo ambiental" e afirmou que por causa de ações como o plano de mudanças climáticas e o fundo amazônico, o Brasil é respeitado e está apto para cobrar providências internacionais na questão ambiental.

 

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Ministro do Meio Ambiente, foi até o Porto de Santos ver a situação do lixo. Foto: Ricardo Saibun/AE

 

"Vamos cobrar dos países ricos que não permitam que suas empresas cometam esse crime ambiental e alertar aos países em desenvolvimento que eles estão servindo de lixeira dos países ricos, que no discurso vão salvar o planeta, mas não conseguem nem tratar do próprio lixo", afirmou Minc, que não esclareceu objetivamente o motivo da sua visita ao Porto de Santos. "Eu estou aqui porque sou ministro do Meio Ambiente e se descobriu que o Brasil está importando lixo ilegal e eu participo todo mês de reunião com os ministros do Meio Ambiente, a última que teve foi um mês atrás na Groenlândia", afirmou.

 

O lixo inglês começou a ser encontrado no Brasil no final do mês passado. Armazenada em 89 contêineres distribuídos nos portos de Santos e de Rio Grande e em uma estação alfandegada de Caxias do Sul (RS), a mercadoria importada como plástico para reciclagem na verdade é mais de 1,7 mil toneladas de lixo, descrito pelo ministro como, "lixo doméstico e hospitalar, material em decomposição, chorume, insetos e patogenias".

 

De acordo com Minc, o Itamaraty entrou em contato com a Inglaterra, que se prontificou tomar todas as medidas necessárias receber o lixo de volta e os 48 contêineres que estão no Rio Grande do Sul começam a ser devolvidos na próxima segunda-feira.

 

Cádmio e Chumbo

 

Além de intervir junto à Inglaterra, Minc afirmou que o Brasil vai cobrar também providências da Itália, da Espanha e dos Estados Unidos por causa da exportação de lixo químico. O ministro afirmou ter sido avisado apenas na última quinta-feira, pelo Ibama de São Paulo, que o Porto de Santos abriga contêineres com metais pesados desde 2004.

 

"São mais de 20 contêineres com chumbo e cádmio originários da Itália, Espanha e dos Estados Unidos. Isso daqui tem processo de investigação da ABIN e na PF esse assunto vai entrar na pauta e isso também vai ser desenvolvido", disse o ministro.

 

O ministro disse ainda que as outras medidas que serão tomadas para combater o problema consistem em um trabalho de inteligência para investigar o passivo ambiental causado nos últimos anos e um trabalho da comissão de combate a crimes ambientais para evitar a impunidade.

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