Epidemia de dengue gera discórdia no Rio

O Rio de Janeiro registrou, desde o início do ano, 733 novos casos de dengue - 229 a mais do que em todo o mês de janeiro de 2001, segundo balanço divulgado hoje pela Secretaria Municipal da Saúde. Do total, 19 vítimas manifestaram a forma mais perigosa da doença, a hemorrágica. A explosão de casos no Rio desencadeou uma batalha entre os órgãos responsáveis pela erradicação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor do vírus da dengue.A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que cuida da prevenção e erradicação de doenças tropicais no Ministério da Saúde, acusa a Prefeitura do Rio de ser a responsável pela epidemia por não ter intensificado ações contra o mosquito, como acordado em uma reunião em agosto passado. O presidente da Funasa, Mauro Costa, afirmou, em nota, que a prefeitura deveria ter contratado mais agentes de saúde e reorganizado suas equipes de combate e laboratórios.O prefeito Cesar Maia e o secretário de Saúde Ronaldo Cézar Coelho rejeitaram as acusações e reagiram. "O presidente da Funasa mente muito", disse o prefeito. "Nós fizemos tudo que era possível, mas a verdade é que nenhuma medida do governo poderia ter evitado essa epidemia, já que todos estão vulneráveis a essa nova forma do vírus (o tipo 3). A única maneira de parar a dengue é convencer a população em participar mais do combate ao mosquito", declarou Ronaldo Cézar Coelho.O secretário pretende começar a multar empresas que mantêm galpões ou terrenos abandonados e, com isso, produzem locais ideais para que o mosquito prolifere livremente. Com base em decretos municipais, as multas poderão chegar a R$ 200, mas serão direcionadas apenas a empresários, sem afetar o cidadão comum.Dengue hemorrágicaO Rio e a Baixada Fluminense são as regiões do Estado mais afetadas pela doença, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. No Estado, foram notificados 1.757, sendo 31 casos de dengue hemorrágica. Duas pessoas já morreram - moradoras da Região Metropolitana - no Estado em conseqüência da doença. O grande perigo dessa nova epidemia é o esperado crescimento do número de casos de dengue hemorrágica. Esse risco foi previsto no ano passado, quando foi notificado o primeiro caso do tipo 3 do vírus no Rio de Janeiro.A terceira forma do vírus da dengue não é muito perigosa para quem é contaminado pela primeira vez. A ameaça é grande nos casos de pessoas que já tiveram dengues de outros tipos porque o organismo tende a reagir ao vírus com mais força, podendo provocar hemorragias - por isso, chamada dengue hemorrágica.Foi o caso do morador de Vila Isabel, zona norte do Rio, Fernando Grilo, 46 anos. Na semana passada, ele e seu filho, de 22 anos, descobriram que tinham contraído o vírus pela segunda vez e que a dengue era hemorrágica. "Achava que sabia o que era dengue, mas desta vez foi horrível. Tive tanta dor no corpo que parecia que eu tinha brigado com o Mike Tyson", contou. Mas Fernando e o filho não foram os únicos. Na vila onde moram, outras seis pessoas também foram contaminadas com o vírus. "Hoje descobrimos que havia um foco do mosquito aqui na vila. Agora, está explicado."

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