Epidemia de dengue no MS é ´gravíssima´, diz ministro

A epidemia de dengue no Mato Grosso do Sul, impressionou o ministro da Saúde, Agenor Alvarez, que considerou a situação de "gravíssima". O boletim desta quinta-feira, 1º, da Secretaria Estadual de Saúde, afirma que nas últimas 24 horas foram registradas mais 1.070 notificações. O avanço da doença passou de um dia para o outro de 13.279 para 14.349 casos, exatamente 8% de aumento. "Em nenhuma outra Unidade da Federação foram registrados tantos casos". Na capital, Campo Grande, a evolução durante o mesmo período foi de 8,5%. Até quarta-feira haviam sido notificados 9.483 casos, nesta quinta já são 10.301. No interior do Estado, os números também são alarmantes, considerando a quantidade de habitantes. Na região do Pantanal, destaca-se Aquidauana com 930 casos, Coxim (624), Miranda (250), Anastácio (360) e Jardim (272). Fora do Pantanal, Três Lagoas com 204 casos e Rio Verde de Mato Grosso, 188. O ministro evitou falar diretamente, sobre a responsabilidade do Estado e das prefeituras no controle do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. Ressaltou que "é muito fácil achar que a sociedade tem uma parcela grande de culpa. Tem sim! Mas a nossa responsabilidade é bem maior". Disse que os recursos "estão aí" e não prometeu verbas extras para combater a epidemia. Segundo ele, o Estado recebeu R$ 10,9 milhões para o combate à dengue e a Capital, R$ 4,9 milhões, usados em ações de prevenção. "Todos os meses são enviados recursos automaticamente para os municípios". Durante janeiro deste ano, a União enviou 14 motos, 19 veículos para auxiliar nas ações e mais recentemente, mais 10 camionetas fumacê. Falha na prevenção Para a médica coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospital da Santa Casa de Campo Grande, Hydée Marina do Valle, alguém falhou na prevenção da doença e o resultado é uma situação de epidemia. "Não existe veneno para combater o vírus da dengue. O combate é contra o mosquito, cujos ovos podem durar um ano em local seco, aguardando o momento pra receber água suficiente para a eclosão, em pneus velhos, vasos de plantas e outros recipientes". Entre os pacientes com dengue, internados na Santa Casa, as histórias se repetem. Há sempre um terreno baldio, deposito de lixo, ferro velho e outros locais próprios para a proliferação do Aedes aegypti. A garota Bruna Campelo Samways Fernandez, 13 anos, está internada há cinco dias no hospital. "Nos fundos da minha casa existe uma oficina mecânica abandonada, cheia de ferro velho. Foi de lá que veio o mosquito que me picou". Também tiveram a mesma doença, dois tios, dois primos e a avó de Bruma, Inês Somwais. A família que reside na Vila Planalto, zona oeste de Campo Grande, acredita que o bairro está infestado de Aedes aegipti. "O namorado da minha filha, que não mora no bairro, pegou a dengue"!, disse Inês Somwais, 66 anos de idade.

Agencia Estado,

01 Fevereiro 2007 | 18h46

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