Equipamento ficou um mês sem funcionar em Cumbica

O aeroporto de Guarulhos ficou um mês com o equipamento que permite pousos quando há nevoeiros (o ILS-2) não funcionando. A informação foi passada nesta segunda-feira pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, indignado e irritado, convocou Pires para ter explicações sobre os novos ingredientes da crise aérea.O ILS queimou em 25 de fevereiro por um raio, e só voltou a funcionar nesta segunda-feira. O aparelho estava pronto para voltar a funcionar dia 13 de março, mas a Aeronáutica não dispunha de aviões para checar o equipamento e homologá-lo para liberação da pista, o que foi feito nesta tarde, após o ministro ter ordenado que se "encontrassem meios" para aprovar o pouso em baixa visibilidade. Um avião-laboratório Bandeirante da FAB fez o teste e liberou a pista para todo tipo de operação.Estes novos problemas causaram enorme mal-estar no Planalto e deixaram o ministro Waldir Pires, que vem sendo atacado por diversos setores, ainda mais fragilizado. Mas, mesmo assim, no Planalto, o presidente Lula não trata abertamente de afastamento de Pires e diz que está em busca de descobrir a verdadeira razão para a ocorrência de todos estes seguidos episódios."O presidente quer saber o que e por que está acontecendo tudo isso. Ele não tem ainda um diagnóstico perfeito da situação e acha que este é o ponto da questão", comentou um interlocutor do presidente, acrescentando que "o presidente avisou que não vai descansar enquanto não resolver este assunto". "Ele quer soluções e logo", justificou.Reunião de coordenaçãoNesta segunda, Pires foi convocado para a reunião de coordenação de governo. O tema tomou conta do encontro, no qual estavam presentes também a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, Tarso Genro, da Justiça, e Walfrido dos Mares Guia, das Relações Institucionais. Lula estava muito irritado e inconformado com a seqüência de problemas. Ele quer saber exatamente o que está acontecendo que há seis meses tem provocado diferentes crises com prejuízo para os passageiros de aviões. Lula marcou para hoje uma nova reunião com Pires, no Planalto. Mas, desta vez, Lula quer todos os representantes da cúpula aérea, juntos, para que se esclareça, de uma vez por todas, o que está acontecendo. O diretor do DECEA- brigadeiro Ramom também foi convocado para esta reunião. A maior preocupação do governo é que episódios como estes reforçam a instalação da CPI do apagão, que o Planalto, com inúmeras manobras, tem conseguido derrubar no Congresso.DúvidasNeste episódio, em especial, o que precisa ser esclarecido é por que apenas um dos nove aviões laboratórios estava funcionando e não foi prioritariamente deslocado para Guarulhos, a fim de liberar a pista 9 para pousos com baixa visibilidade.Também é preciso saber por que, mesmo tendo apenas um avião em operação, o Grupo Especial de Investigação de Vôo (GEIV), vinculado ao DECEA, Departamento do Controle do Espaço Aéreo, do Comando da Aeronáutica, não priorizou o aeroporto internacional mais importante do País, deixando que, durante os últimos três dias, diversas aeronaves vinda de todos os países do mundo, tivessem que aguardar em vôo ou serem desviadas, por falta de teto. DemoraApesar de, no dia 13 de março, o ILS estar pronto para ser checado pela Aeronáutica, apenas no dia 17, quatro dias depois, foi dada a ordem para que o único avião-laboratório dos nove existentes fosse deslocado para Guarulhos. Além disso, falta explicar ainda quem autorizou o avião a seguir para o Sul do País depois de o Bandeirante chegar em Guarulhos e não encontrar condições meteorológicas para fazer a inspeção no ILS. A justificativa da FAB é que como havia apenas um avião para atender a todos os aeroportos do País, ele não poderia ficar parado em Guarulhos esperando o tempo melhorar, ainda mais que, aquele aeroporto, tem quatro equipamentos deste tipo, dois em cada cabeceira da pista e que, caso a outra pista fosse liberada, o problema estaria resolvido. "Foi mais um azar, uma conjunção de fatores", justificou um oficial da Aeronáutica, ao explicar que Guarulhos tem duas pistas, que são usadas nos dois sentidos, dependendo de vários fatores, inclusive o vento. E, por azar, comentou, o problema o nevoeiro aconteceu justamente quando a Infraero precisou fechar uma das pistas para manutenção e a que ficou em funcionamento, estava com o ILS operacional em apenas em uma das direções, já que os outros dois, estavam aguardando homologação porque foram atingidos por um raio em fevereiro.Pousos com baixa visibilidadeEm cada cabeceira da pista há quatro transmissores para serem usados em caso de pousos por instrumento, quando há baixa visibilidade e a neblina é muito grande. Dois desses transmissores, (principal e reserva) são os chamados indicadores de rampa de pouso, ou ILS nível 2, que são equipamentos que verificam se o avião está chegando com o ângulo certo para pousar e não vão tocar a pista antes da hora certa.Tanto o ILS-2 principal, quanto o reserva, da pista 9, direita, (que indica o sentido da pista) foram queimados com o raio. Mas os outros dois, iguais na mesma pista 9, no sentido esquerdo, estavam funcionando. Só que, nos últimos dias, por causa do vento, a pista só estava podendo funcionar naquele sentido justamente que não possuía o ILS.PanesNo caso dos aviões HS-800 que normalmente fazem este tipo de inspeção nas pistas, eles deixaram de voar no início de março, por volta do dia 5. Quando eles pousaram em Guarulhos, nesta data, para mais uma inspeção do ILS, houve o trem de pouso quebrou mas os técnicos descobriram que este não era um simples defeito, mas um problema muito maior, de projeto, e que o trem de pouso não só deste avião , como dos outros 3 do mesmo tipo precisariam ser substituídos e não poderiam mais voar sob pena de provocarem um grave acidente com risco de morte. Normalmente, a checagem é feita com os quatro jatos HS-800 porque ele tem um painel de inspeção mais moderno, totalmente automatizado, que realizada o check durante o vôo. No caso do avião bandeirantes, que fez o check do ILS ontem, o sistema é mais complexo porque precisa de ter algum técnico no chão que acompanhe o vôo e veja o bandeirantes. Portanto, em dias com neblina, este tipo de teste não pode ser feito porque não há visibilidade.Hoje, apenas um avião-laboratorio Bandeirante está em operação. Os outros quatro também estão em manutenção.

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