Equipe da Rota matou seis pessoas em três dias de maio

A equipe do cabo Renato Aparecido Russo, da Rota, deixou um rastro de seis mortes na primeira onda de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. Entre 13 e 15 de maio de 2006, sua equipe matou duas pessoas por noite, sempre alegando legítima defesa. Os casos ocorreram em Guarulhos e Poá, na Grande São Paulo.A Corregedoria da Polícia Militar concluiu a apuração de um dos casos e remeteu as provas ao Ministério Público Estadual. ´Devo denunciar os acusados´, disse o promotor Marcelo Alexandre Oliveira. Suspeita-se que os PMs aproveitaram-se dos atentados para provocar as mortes.Em Poá, o cabo Russo, o tenente Francisco Carlos Laroca Junior e o soldado Marco Antônio Pinheiro - todos sob investigação - contaram com a ajuda de dois outros soldados para matarem dois homens, em um suposto tiroteio, às 23h50 do dia 14, na Rodovia Enrique Eroles.Entre as vítimas estava o presidiário Luiz Carlos Brito, de 49, que cumpria pena na Penitenciária de Getulina e saíra para visitar a mãe - o outro homem não foi identificado. Eles foram acusados de usar um Stilo para atirar em policiais de Poá. Após os tiros, surgiu a equipe da Rota.Os PMs contaram que dois homens fugiram no carro e deixaram dois amigos para trás, que acabaram sendo mortos. Suspeita-se que policiais estivessem no Stilo e tenham forjado o ataque.No dia 15, em Guarulhos, Russo participou com outros policiais das mortes de Jardel de Oliveira, de 17 anos, e de Edson Oliveira, de 25. O primeiro saíra da Febem em liberdade assistida e Oliveira, ex-presidiário, carregava alvará de soltura. Eles foram acusados de ter reagido a tiros, juntos, a uma abordagem policial. Mas, segundo a corregedoria, não se conheciam.As mortes envolvendo a equipe do cabo estão sob apuração desde que a corregedoria obteve provas de que José Felix Ramalho, de 44 anos, e Jefferson Morgado Brito, de 32, foram mortos, em 13 de maio Uma testemunha viu a prisão de Ramalho na Praça da República, centro, e reconheceu Russo - a corregedoria suspeita que a maioria das vítimas foi detida naquela região.Os suspeitos não sabiam dirigir, mas, segundo os policiais, fugiam num Audi roubado. A perícia constatou que as armas que os PMs disseram ter apreendido com os acusados não foram disparadas. A corregedoria recebeu a denúncia de que Russo ligou para um sargento do 15º Batalhão e pediu-lhe que arrumasse alguém para prestar uma falsa queixa de roubo de carro - para justificar a falsa perseguição e tiroteio.Esse modo de agir teria sido usado por outros PMs da Rota - cujos nomes não foram divulgados - em 15 de maio, de novo em Poá, na Enrique Eroles. Os policiais afirmaram ter surpreendido dois suspeitos em um Palio roubado, que entraram num posto de gasolina, atiraram e foram mortos.A suspeita no caso é de que o carro supostamente roubado tenha sido entregue aos policiais pelo dono, para que a ocorrência fosse fraudada. O proprietário seria um ex-PM, que teria ajudado policiais em outros casos. A corregedoria recebeu a denúncia de que, quando o tiroteio foi encenado, os suspeitos já estavam mortos.Oficiais do Comando Geral estão preocupados com a apuração sobre a Rota, pelo reflexo do caso no moral da tropa. Russo e os demais PMs envolvidos no caso do Audi foram afastados do policiamento de rua.

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