Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Equipe da Unesco visitará museus no Rio para analisar segurança de acervos

Missão visitará o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2018 | 15h27

BRASÍLIA - A missão oficial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que veio ao Brasil em missão de emergência para auxiliar na recuperação do Museu Nacional, visitará outros seis museus no Rio de Janeiro nesta semana para avaliar a situação de risco em que se encontram seus acervos. 

O objetivo é elaborar recomendações ao governo federal e às instituições responsáveis por eles para que sejam evitadas tragédias e degradação ou perda de objetos e documentos. A missão visitará o Arquivo Nacional e a Biblioteca Nacional. Os outros quatro museus ainda serão selecionados. 

"Outra parte da nossa missão inclui a investigação rápida de outros museus no Rio para averiguar riscos e para, eventualmente, lançar um projeto que seja mais inclusivo e prevenir situações como esta", afirmou a chefe da Missão de Emergência da Unesco para o Museu Nacional, Cristina Menegazzi.

"A ideia é aplicar a metodologia de análise de riscos que a gente já vem aplicando no setor do patrimônio cultural e que nos permite avaliar de forma abrangente os riscos que afligem o patrimônio cultural", completou o consultor do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais (ICCROM), José Luiz Pedersoli Junior. Ele e Menegazzi chefiam a missão de emergência no Brasil, que é composta ainda por dois especialistas alemães em recuperação de objetos em situações como a do Museu Nacional. 

Nesta terça, eles apresentaram à imprensa o andamento dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos em parceria com entidades do governo federal, como o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, responsável pelo Museu Nacional. A missão, financiada por um fundo da Unesco, chegou ao Brasil em 13 de setembro e permanecerá no país por dez dias.

De acordo com Menegazzi, a missão internacional tem como prioridade o trabalho de recuperação de objetos que estão sob os escombros e a restauração do edifício, que tem valor histórico. A Unesco também coordenará a ajuda internacional que tem sido oferecida por países e organizações de todo o mundo.

Menegazzi afirmou ainda que a recuperação do museu deverá levar anos, principalmente pela complexidade oriunda do incêndio. Outra dificuldade é também conseguir separar o que é escombro do que tem valor histórico e científico. "Será um trabalho praticamente de arqueologia", definiu Pedersoli. A expectativa é de que o público só terá a chance de ver novamente parte do acervo destruído daqui a alguns anos. 

Segundo a Diretora da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, o Museu Nacional tem um backup atualizado em fevereiro de todo o seu acervo, o que permitirá que, mesmo o que não seja possível de ser recuperado, possa ser reproduzido com a ajuda de novas tecnologias. 

Noleto afirmou ainda que o trabalho desenvolvido pela organização internacional  não integra a equipe oficial do governo que traçará o plano executivo para a reconstrução do museu. Ela também destacou que os recursos que serão empreendidos para isso virão do governo federal e de doações públicas e privadas. Não há, ainda, estimativa de quanto a reconstrução do museu custará no total.

Os integrantes da missão da Unesco visitaram o Museu Nacional na semana passada e fizeram recomendações para ações prioritárias como a cobertura do prédio para evitar que o sol e a chuva prejudiquem o que está sob os escombros. Eles voltarão ao Rio ainda hoje para continuar os trabalhos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.