Sergio Neves/AE
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Equipe de Dilma já tem quatro nomes para substituição de Meirelles no BC

Transição. O mais cotado para ocupar a presidência é o diretor de Normas do banco, Alexandre Tombini, mas os presidentes do Bradesco, Luiz Carlos Trabucco, da Febraban, Fábio Barbosa (Santander), e o economista Octávio de Barros também são citados

Vera Rosa, Eugênia Lopes / BRASÍLIA Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2010 | 00h00

A pedido de Dilma Rousseff, quatro nomes já foram sondados para substituir o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Na prática, a presidente eleita só aguarda a conversa com Meirelles, que deve ocorrer amanhã, em Brasília, para decidir quem comandará a política monetária a partir de 2011.

"Alguns me perguntam o que espero para o futuro, o que espero para a vida pública. Eu espero terminar, de fato, esse mandato juntamente com o presidente Lula", disse Meirelles, na noite de ontem, ao participar de cerimônia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Questionado se o discurso tinha tom de despedida, ele abriu um sorriso. "Foi de celebração", respondeu.

Até agora, o mais cotado para a cadeira de Meirelles é uma solução doméstica: Alexandre Tombini, diretor de Normas do Banco Central. Mas também foram sondados o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabucco; o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa (Santander), e o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros.

Tombini tem bom relacionamento com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que permanecerá no cargo. O plano de Mantega, com o aval de Dilma, é reduzir a dívida interna líquida para 30% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2014. A intenção é que os juros reais cheguem a 2% ao ano no fim do mandato.

As especulações sobre a saída de Meirelles provocaram oscilações no mercado ontem. A presidente eleita quer fechar a escalação da equipe econômica até o fim da semana. Ela ficou muito contrariada com Meirelles ao saber que ele impôs condições para ficar no cargo - como a manutenção da autonomia na definição dos juros -, quando estava em Frankfurt, na Alemanha.

Telefonema. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci chegou a telefonar para Meirelles para saber se as declarações eram verdadeiras. Ele negou.

Em conversas reservadas, Dilma disse que a autonomia do Banco Central será mantida, em qualquer situação. O mal-estar provocado com a repercussão dos comentários de Meirelles fez com que seus amigos desmentissem que ele tenha rejeitado a hipótese de ocupar um mandato-tampão nos seis primeiros meses do próximo governo.

As divergências entre Mantega e o presidente do BC foram citadas como pano de fundo para o embaraço. Discípulos de Meirelles dizem que a Fazenda promove a "queimação" do chefe da política monetária.

O presidente Lula gostaria que Meirelles permanecesse no primeiro escalão, em outro ministério, pelos serviços prestados ao governo. Uma das áreas cobiçadas por ele é a de Transportes, hoje capitaneada pelo PR. Filiado ao PMDB, o presidente do BC era o nome preferido de Lula para vice de Dilma, por sua credibilidade no mercado financeiro, mas o deputado Michel Temer (SP) foi o indicado.

Planejamento. Dilma quer agora transferir o acompanhamento de planos importantes do governo Lula, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida, para o Planejamento. Xodós da administração petista, os projetos foram preparados quando ela era chefe da Casa Civil e até hoje continuam sob o guarda-chuva dessa pasta.

Os novos formatos da Casa Civil, que ficará mais enxuta, e do Planejamento, com mais musculatura, foram discutidos em reuniões realizadas ontem, na Granja do Torto.

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