Equipe de Dilma quer desconstruir imagem de Serra como gestor

O comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência prepara estratégia para desconstruir o discurso de bom gestor do adversário do PSDB, José Serra. A ideia é explorar a velha tática do medo de mudança e apontar "pontos fracos" do tucano como ministro da Saúde e do Planejamento, governador e prefeito de São Paulo.

Bastidores: Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Os programas sociais desenvolvidos pelo tucano estão na mira do PT, que pretende enlamear sua fama de administrador eficiente. Em reuniões realizadas ao longo da semana, a equipe de Dilma chegou à conclusão de que o melhor momento para pôr em prática a estratégia será no debate da TV Bandeirantes, em 5 de agosto.

Ex-ministra da Casa Civil, Dilma vai jogar os holofotes sobre o Bolsa-Família e a segurança pública. Na avaliação do comitê petista, os programas sociais representam para Serra, na atual disputa, o mesmo problema que as privatizações representaram para o então candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB)- hoje postulante ao governo paulista - na eleição de 2006.

O marqueteiro João Santana, que trabalhava à época para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e agora assina a propaganda de Dilma, chegou a definir as privatizações, naquele embate, como "monstros vivos" a assombrar o tucanato.

"Eu acho impossível Serra dobrar o Bolsa-Família", afirmou Dilma, numa referência à promessa do rival. "Aliás, no período em que ele foi governador, o programa Renda Cidadã diminuiu." A candidata do PT tem números na ponta da língua para atacar Serra e repete como mantra que "quando o PSDB pôde mais, fez menos".

Dados do governo Lula indicam que 1 milhão e 100 mil famílias, em São Paulo, são beneficiadas pelo Bolsa-Família. "Pelos nossos cálculos, 1 milhão e 400 mil precisariam receber, mas São Paulo não conseguiu cadastrar todo mundo", alfinetou Dilma. "Quem cadastra é o governo federal em parceria com o município, o que quer dizer que, quando meu adversário foi prefeito, não cadastrou 300 mil."

Na contramão do Palácio dos Bandeirantes, que comemora o recuo da violência em São Paulo, a equipe de Dilma cita números da Organização Mundial da Saúde para concluir que a taxa de homicídios no Estado virou "epidemia".

"Serra promete o que ele não fez e vamos apresentar esse contraponto na campanha", insistiu o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. "Ele fala em criar o Ministério da Segurança, mas há 16 anos o PSDB é governo em São Paulo e não resolveu esse problema."

Na lista das dúvidas que o comitê de Dilma quer pôr na cabeça dos eleitor estão, ainda, a paternidade dos genéricos e a criação do programa de combate à Aids. Na tentativa de devolver ataques tucanos que apontam Dilma como "mentirosa", a cúpula do PT baterá na tecla de que Serra "falta com a verdade" quando colhe dividendos sobre a autoria de determinadas iniciativas.

A equipe de Dilma também vai associar o lançamento de propostas de governo a mobilizações temáticas. Antes mesmo de divulgar o documento batizado como "Os 13 compromissos de Dilma Rousseff com o Brasil", a petista anunciará o programa para a juventude. Será um ato no próximo dia 7, na favela Cidade de Deus, no Rio.

Pesquisas revelam que a ex-ministra precisa conquistar votos entre os jovens. Não é um contingente a se desprezar: a faixa que vai de 16 a 29 anos representa 52 milhões de eleitores.

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