Equipe do Pan evita Congonhas

Empresas de vários setores vetam uso do aeroporto

Amanda Romanelli e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O boicote a Congonhas ganha força à medida em que conquista o apoio de empresas e associações de vários setores da sociedade. A delegação brasileira de atletismo deu ontem o chute inicial. Decidiu trocar passagens aéreas da TAM para o Rio- onde participa dos Jogos Pan-Americanos na semana que vem- por três ônibus executivos, que partem da capital paulista hoje, às 8 horas. A mudança foi realizada para evitar que os atletas passem horas de espera no Aeroporto de Congonhas. ''''Não seria interessante submeter os atletas a esse tipo de tensão poucos dias antes de uma competição tão importante'''', explicou Carlos Alberto Lancetta, chefe da equipe brasileira. O dirigente admite que alguns atletas mostraram preocupação em voar dias depois do mais um trágico acidente da aviação nacional. ''''Não há como evitar. Tudo ainda é muito recente.'''' A chegada do time brasileiro - o maior que o País já enviou aos Jogos Pan-Americanos, com 85 atletas - à Vila Pan-Americana deve acontecer no início da tarde. A viagem de ônibus até o Rio está estimada em cinco horas. O mesmo tempo que, segundo Lancetta, seria gasto no traslado de avião. ''''Temos que fazer o check-in de pelo menos 100 pessoas (entre atletas, técnicos e dirigentes), embarcando equipamentos, como varas, implementos e bagagens. E a TAM disse que não assegura a pontualidade dos vôos'''', disse o dirigente. ''''Chegamos à conclusão de que chegaríamos ao Rio mais rápido e com tranqüilidade.'''' BOICOTE Depois do acidente em São Paulo, empresários do Sul do País decidiram boicotar o Aeroporto de Congonhas. É o caso de Marcelo Adames, de 31 anos, dono de uma empresa de objetos de decoração em Caxias do Sul. Terça-feira, ele viajaria para o Espírito Santo em um vôo com escala em Congonhas. Assustado, transferiu a escala para o Rio. Não foi uma decisão particular, mas corporativa. ''''Decidi que na empresa ninguém mais desce em Congonhas'''', disse. Como, nesta época do ano, há muita neblina em Caxias do Sul, a maioria dos empresários embarca em Porto Alegre. ''''Nesse acidente morreram ao menos três empresário de Caxias. Quando a morte chega perto, o medo fica ainda maior. Vou fazer o que eu posso para aumentar a segurança dos meus funcionários e da minha família. Isso significa tirar Congonhas da rota.'''' A TV Record emitiu ontem comunicado avisando que funcionários, executivos e artistas da casa não utilizarão mais o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e, sim, o de Cumbica, em Guarulhos. O Instituto de Defesa do Consumidor lançou oficialmente o boicote contra Congonhas. No site há abaixo-assinado pedindo o fechamento do aeroporto. O documento será enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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