Erenice nomeou filha do presidente dos Correios

Filha de David de Matos, Paula Damas, que era assessora na Secretaria Executiva do Ministério da Casa Civil, foi exonerada 'a pedido' na terça-feira

Ana Paula Scinocca, Karla Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

Antes de nomear David José de Matos presidente dos Correios, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra nomeou uma das filhas dele, Paula Damas de Matos, assessora na secretaria executiva do ministério. Na terça-feira, Paula foi exonerada "a pedido", conforme consta no Diário Oficial da União de ontem.

Paula foi nomeada para o cargo de assessora de gabinete, segundo consta também no Diário Oficial, em 25 de junho deste ano. Deixou o posto em meio às denúncias que já provocaram a queda de Erenice, no Planalto, e do coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva da Diretoria de Operações dos Correios. Silva saiu após a revelação de que era testa de ferro do verdadeiro dono da empresa Master Top Linhas Aéreas (MTA), o empresário argentino Alfonso Conrado Rey.

Presidente dos Correios, David de Matos confirmou a exoneração da filha no início da tarde de ontem. "Pedi a ela que se afastasse", disse. Ele afirmou ter sugerido que Paula deixasse o cargo diante "das confusões e críticas" levantadas pela imprensa nos últimos dias.

Segundo Matos, Paula foi nomeada para realizar "um trabalho específico sobre enchentes". Ele contou que o trabalho da filha na Casa Civil ainda teria duração de dois meses. Mais tarde, a própria Paula deu sua versão. Por telefone, ela contou ao Estado que conhece Erenice desde pequena e que a ex-ministra sempre foi amiga do seu pai.

Paula contou que foi Erenice quem a chamou para trabalhar na Casa Civil. O convite, segundo ela, foi feito em uma academia de ginástica. "A Erenice comentou comigo que muitas pessoas tinham saído do Planalto por conta da eleição e que precisava de alguém para realizar um trabalho por conta das enchentes que destruíram Alagoas e Pernambuco", afirmou. "Como tinha acabado de voltar de São Paulo para Brasília e tenho um trabalho em políticas públicas, achei que a experiência pudesse ser interessante."

Como funcionária da Casa Civil, Paula afirmou que tinha a função de consolidar as informações encaminhadas pelos Estados e ministérios. Também disse que desde o início ficou acertado que ela trabalharia por um período determinado, até outubro.

"Conversei com meu pai e decidi sair para preservar a mim e à minha família", declarou. "Não tenho nada a esconder". Paula ressaltou que sua nomeação para a Casa Civil aconteceu antes de o pai ser indicado presidente dos Correios. "À época em que ele foi chamado eu já trabalhava na Casa Civil. Uma coisa não tem relação com a outra."

Em família

A ex-cunhada de Erenice Guerra, Gabriela Pazzini, tem cargo de confiança na Secretaria de Patrimônio da União. Gabriela assumiu as cotas de Erenice na empresa Carvalho Guerra e Representações

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