Eritreu mora há 5 dias em Cumbica

Rapaz de 28 anos desembarcou com 2 irmãos; desertores do serviço militar obrigatório de seu país, eles tentavam se refugiar no Brasil

Edison Veiga e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S. Paulo,

29 Outubro 2012 | 23h00

SÃO PAULO - Três refugiados da Eritreia, no nordeste da África, tentaram entrar no Brasil na última semana e não conseguiram. Até o início da noite desta segunda-feira, 29, um deles ainda estava no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, aguardando decisão das autoridades para saber se poderá ficar no Brasil ou não. Outro foi detido por lesão corporal após agredir um policial e a Justiça analisa sua situação.

Segundo informações de religiosos eritreus, Eseyas Tesfu Habtemar, de 20 anos, sua irmã Kibramariam Tesfu Habtemar, de 22, e Meseret Habtegebriel, de 28, são desertores do serviço militar obrigatório da Eritreia - onde, segundo informações de eritreus que vivem em outras nações, o trabalho é por tempo indeterminado e também recruta mulheres. Eles chegaram ao Brasil vindo de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na madrugada da quarta-feira. Seguiriam para a Colômbia, onde têm familiares.

A empresa que faria esse último trecho da viagem, porém, recusou o embarque dos viajantes - que também não tinham autorização para permanecer em território brasileiro. Por isso, Kibramariam foi acomodada em um voo de volta a Dubai.

Meseret, seu parente, teria se envolvido em uma confusão com policiais ao saber da recusa da companhia aérea e foi detido por lesão corporal. A Justiça determinou que ele fosse repatriado, mas o eritreu então fez um pedido de refúgio para permanecer no País. Segundo a Polícia Federal (PF), ele está à disposição da Justiça Federal de Guarulhos, que analisa em qual condição ele permanecerá em território nacional.

Depois da confusão, a empresa aérea resolveu levar Eseyas para a Colômbia. Chegando lá, a imigração recusou seu ingresso ao país e ele teve de retornar a Guarulhos, onde também formulou pedido de refúgio. Segundo a lei que prevê o refúgio, ao declarar essa intenção, o estrangeiro tem o direito de ingressar e permanecer no País até que seu caso seja analisado.

Mobilização. O caso mobilizou religiosos e políticos brasileiros. O deputado estadual Adriano Diogo (PT), ligado à Igreja Católica, afirmou que "o problema é enorme". "E ninguém nos informa nada com precisão", disse.

Parentes dos eritreus refugiados nos Estados Unidos estão apreensivos. Até esta segunda, não havia notícias sobre Kibramariam. "Na Eritreia, desertores são punidos com a morte", disse um membro de ordem religiosa que acompanha o caso e pediu para não ser identificado.

Os nomes dos três eritreus detidos no aeroporto brasileiro foram revelados com autorização de seus familiares que moram nos Estados Unidos. Como já há histórico de casos de execução por deserção, eles acreditam que, quanto mais divulgação houver do caso, menos riscos os três eritreus poderão correr. Segundo os parentes nos Estados Unidos, o governo eritreu já teria a lista de todos aqueles que abandonaram o país.

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