Erosão ameaça 300 famílias em Osasco

Dezenas de barracos da ocupação no morro do Assucará, em Osasco (SP), estão sob risco de desabamento e o comando da Defesa Civil nomunicípio mobilizou todo o seu contingente para acompanhar de perto os eventuais deslizamentos de terra.A ocupação, com cerca de 300 famílias, foi realizada com apoio da Secretaria de Habitação de Osasco, em uma área remanescente de Mata Atlântica no maciço do Pico do Jaraguá, e tem sido repetidamente denunciada como irregular por entidades ambientalistas. "Colocar famílias nesta área é tecnicamente incorreto e ambientalmente inadequado",denuncia Meire Garcia Pizelli, da Comissão de Interesses Difusos e Coletivos da Ordemdos Advogados do Brasil (OAB). As 300 famílias, que viviam em favelas na região central da cidade, foram levadas para o Assucará em agosto de 2001. Máquinas da Prefeitura se ocuparam em derrubar a mata e preparar o terreno.Próximo dali, 69 famílias já haviam realizado uma primeira ocupação, em 1997. Na época, a Comissão de Meio Ambiente da OAB de São Paulo, da qual Meire fazia parte, denunciou ao Ministério Público Estadual (MPE) a invasão da Área de Preservação Permanente . Desde então, uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura corre na Justiça. A partir de agosto, com a nova ocupação, vários boletins de ocorrência, dezenas derepresentações judiciais e até o pedido de uma CPI na Câmara Municipal advertirampara o risco à vida dos moradores que a ocupação da área representava. "As encostasonde estão os barracos têm declive de mais de 45º", avalia Meire. "É a última área deMata Atlântica de Osasco. Nada justifica a ocupação." O secretário da Habitação, JairAssaf, afirma que a cidade não tem outras áreas disponíveis para colocar as famílias. Omunicípio está entre os mais densamente povoados do Estado de São Paulo, com umapopulação de 650 mil habitantes e uma área de apenas 66,9 km2. "Posso garantir quenão fizemos nenhuma loucura ali. A área já foi oferecida para o Governo do Estado paraa construção de conjuntos residenciais", defende-se Assaf.Os moradores questionam. "Fomos retirados de uma área central, sujeita a enchentesmas onde tinha um pouco de segurança, e aqui corremos risco de morrer ou de perdertudo a qualquer momento", queixa-se Maria das Dores Ferreira, moradora do barraco 35da ocupação.

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