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Erro do governo de SP espalhou PCC pelo País, diz delegado

No depoimento secreto que deram dia 10 à CPI do Tráfico de Armas, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, Godofredo Bittencourt Filho, e o delegado Ruy Ferraz Fontes admitiram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se espalhou pelo País por um erro cometido pelo governo de São Paulo. Ele transferiu os "bandidos mais perigosos" do grupo para prisões em outros Estados, plantando a "sementinha" da organização pelo País afora. A portas fechadas, Ferraz avaliou diante dos deputados: "Está muito difícil desmontar essa estrutura".Os dois policias traçaram um perfil do líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e revelaram detalhes da estrutura e do funcionamento do grupo, com destaque para suas ramificações na sociedade. Confirmaram até que o grupo pretende eleger deputados para defender seus interesses no Congresso.Afirmaram ainda que há pessoas dentro das operadoras de telefonia celular contribuindo para o crime organizado.As reclamações de falta de cooperação das operadoras de celulares nas ações da polícia, como não informar a localização de telefones que estão interceptados, e o "desdém" com as solicitações do Deic ocuparam grande parte da sessão reservada na CPI. Para os delegados, o celular na cadeia é mais perigoso do que dez fuzis na rua.Parte do depoimento foi divulgado nesta quinta-feira pelo site Congresso em Foco, que teve acesso a 31 páginas de um total de 64 com a transcrição integral da sessão. Nessa parte que veio a público não há referências à transferência de presos nem que a polícia tinha informações de que estariam sendo preparadas rebeliões nas penitenciárias."Não li, não vou ler nem confirmo o depoimento", reagiu hoje o presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), a respeito da publicação de parte do conteúdo da sessão reservada na internet. Torgan anunciou que pediu que a Polícia Federal investigue o vazamento do depoimento. O presidente da CPI afirmou que as declarações continuam secretas porque, do contrário, o depoimento poderá significar implicações jurídicas para os depoentes.A transcrição mostra vários momentos em que o presidente da CPI verifica se não há possibilidade de outras pessoas ouvirem a reunião reservada e a sua preocupação para evitar vazamentos. "Os advogados do PCC estão aí fora", afirmou Torgan. "Eles não podem de jeito nenhum ouvir o que está acontecendo aqui dentro", continuou. Cópiapesar de tantos cuidados, minutos depois de terminada a sessão, o ex-funcionário de empresa que presta serviço à Câmara, Arthur Vinícius Pilastre Silva, entregou a cópia do depoimento aos advogados do PCC, segundo ele confessou.

Agencia Estado,

18 de maio de 2006 | 21h08

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