Erros culminaram no acidente da Gol, diz Infraero

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou nesta segunda-feira,23, que houve uma sucessão de erros que culminaram no acidente com entre o Boeing 737-800 da Gol e o Legacy, no dia 29 de setembro, que causou a morte de 154 pessoas. Ele enfatizou que é pouco provável que tenham ocorrido falhas em equipamentos e que se o transponder do Legacy estivesse em funcionamento o acidente teria sido evitado. Para Pereira, podem ter ocorrido erros dos pilotos do Legacy, do controle e de interpretações erradas das regras de vôo. ?Pelo que sabemos até agora, em nenhum momento se comentou em pane material em nenhum dos dois aviões, nem nos radares terrestre. Eram aviões novos, com sistemas modernos. É muito difícil um transponder dar pane, é um equipamento muito seguro. Se o transponder tivesse acionado, aquele acidente não teria acontecido?, disse o brigadeiro, após a cerimônia de comemoração do Centenário do Vôo do 14-bis.O presidente da Infraero descartou a possibilidade dos pilotos do Legacy terem confundido a expressão dos controladores ?vigilância de radar? com ?vetoração de radar?, quando o piloto segue somente orientação dos controladores para voar, sem tomar iniciativa própria, o que raramente acontece. ?A expressão vigilância de radar, no mundo todo, significa que a aeronave está sob vigilância, mas a tribulação do avião continua sendo responsável pela navegação do avião. Inclusive na preservação de altitude e rota?, explicou, acrescentando que a vetoração radar não acontece a 36 mil pés, altitude em que voava o Legacy.O brigadeiro disse ainda que é pouco provável que tenha havido dificuldades com a língua inglesa na comunicação entre controladores e piloto do Legacy. ?O inglês é a língua universal da aviação. Não era um diálogo complexo, não havia uma emergência iminente, não havia necessidade de fugir da padronização. O linguajar de aviação é muito padronizado. Os controladores sempre usam a mesma expressão?, afirmou.AeroviasO ministro da Defesa, Waldir Pires, disse nesta segunda, que o Brasil pode levar à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) a discussão sobre mudanças na diferença de altitude entre aviões nas aerovias, depois de concluídas as investigações sobre o acidente com Boeing 737-800 da Gol com o Legacy. Segundo o ministro, há sempre um aprendizado decorrente da investigação, que vai mostrar se o acidente ocorreu por negligência humana ou falha de equipamentos. ?Acho que, do exame meticuloso do acidente, será possível extrair lições?, afirmou. Pires acrescentou que, anteriormente, a distância de uma aeronave para outra nas aerovias era 2 mil a 3 mil pés. Atualmente, após deliberação internacional, a separação é de mil pés. ?Será que isso resulta de alguma conveniência? Por que um país, com uma determinada intensidade de vôo, tem distância de separação de aeronaves semelhante a países com intensidade infinitamente maior??, questionou o ministro, que também participou da cerimônia do centenário do Vôo 14-Bis.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2006 | 18h22

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