Erros podem ter causado acidente em escalada

Falhas humanas foram apontadas, por especialistas e pela polícia, como as principais causas do acidente que levou à morte do físico Leonardo Donora, de 35 anos. Praticante de montanhismo há 12 anos, ele morreu na noite de sábado, quando tentava escalar a pedra Ana Chata, no complexo de montanhas de São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, caindo de uma altura de 36 metros. Segundo o professor de alpinismo Eliseu Frechou, que resgatou o corpo da vítima uma hora depois do acidente, o físico e o amigo Sílvio dos Santos Júnior, de 29 anos, foram para a aventura sem nenhum mapa que pudesse auxiliar na escalada: "O erro começou aí". Sem ter onde fixar o equipamento, segundo depoimento do sobrevivente, a dupla continuou subindo, na esperança de achar um ponto da montanha para fixar os grampos. "Fazer isso é como correr com um carro, em alta velocidade, de olhos fechados, numa via expressa", compara o professor, na área há 17 anos. "Eu escalo quatro vezes por semana e jamais faria isso", completou. A polícia concordou com o especialista, já que o equipamento usado pelo físico era de última geração e ficou intacto. "Ainda temos que esperar o laudo da Polícia Técnica, mas tudo indica que foi falha humana", disse o delegado João Jacob Sá de Toledo, titular de São Bento do Sapucaí. As cordas e os grampos usados pela vítima foram encaminhados ao Instituto de Criminalística de Taubaté e segundo o perito chefe, Marcos Greghi, o laudo deve ficar pronto em dez dias. "Aparentemente o equipamento está intacto, mas vamos analisar tudo", afirmou Greghi. Segundo a polícia civil, nos últimos doze anos, quatro mortes foram registradas no complexo das três rochas (Pedra do Baú, Bauzinho e Ana Chata) entre São Bento do Sapucaí e Santo Antonio do Pinhal. Duas delas na prática do alpinismo, uma suicídio e outra, causada por um raio. "Pelo número de pessoas que praticam este esporte, o índice de mortes é pequeno", afirmou o delegado. Para Eliseu Frechou, o esporte não é perigoso: "Perigoso é fazer sem ter conhecimento". O físico, que trabalhava em São Paulo numa indústria têxtil, foi sepultado na capital. Segundo a polícia, ele já havia sofrido acidente nas pedras duas vezes. O amigo, Silvio dos Santos Junior, que estava junto na escalada, mas não chegou a cair, teve lesões leves nas mãos, e passa bem.

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