Escândalo ameaça extrapolar Campinas

Ministério Público decide investigar toda a publicidade da prefeitura; personagens em mira têm ligações com o governo federal e o PT

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2011 | 00h00

O escândalo no qual está imersa a cidade de Campinas (SP) ameaça extrapolar o âmbito regional com um novo flanco de investigação do Ministério Público. Os promotores da cidade decidiram investigar toda a área de publicidade da prefeitura, inclusive a da Sanasa, a empresa de saneamento da cidade, onde a apuração do MP teve origem. Os personagens que estão sob a mira do Ministério Público têm ligações com o governo federal e com o PT.

Sob o olhar dos promotores estão o publicitário Dudu Godoy, marqueteiro de Lula em 1998 e responsável pela conta publicitária da Prefeitura de Campinas, e outros dois empresários de comunicação investigados em supostas fraudes que envolveram o petismo: Giovane Favieri e Armando Peralta Barbosa. A produtora da dupla foi a que oficialmente fez a campanha de TV e rádio de Dr. Hélio na campanha de 2004.

O Ministério Público de Campinas vai investigar os contratos de Godoy com a prefeitura. Além disso, vão averiguar se Favieri e Peralta têm ou tiveram contratos com a prefeitura e se estiveram envolvidos em fraudes na gestão Dr. Hélio.

A história dos três remonta ao governo de Zeca do PT, em Mato Grosso do Sul, onde atuaram no fim da década de 90 e começo dos anos 2000. Favieri e Peralta prestavam serviços de publicidade ao governo por meio de uma empresa da qual são sócios, a NDEC. Dudu Godoy foi secretário de Comunicação nos dois primeiros anos do governo de Zeca.

Os donos da NDEC são réus em dois processos no Estado em que são acusados pelo Ministério Público de participação em um esquema que teria desviado R$ 30 milhões dos cofres sul-matogrossenses por meio da publicidade estata.l Segundo a Promotoria, a NDEC intermediava a venda, para o governo, de notas fiscais de serviços superfaturados ou de serviços que sequer foram realizados.

A investigação do MP, relativa aos anos de 2005 e 2006, não abrange o período em que Dudu Godoy foi secretário de Comunicação do Estado. No entanto, em março deste ano, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a intimação de Godoy, pedida pela Procuradoria-Geral da República, para que seja ouvido sobre o suposto esquema.

Trajetória. Na década de 90, além de ter atuado em Mato Grosso do Sul, Godoy trabalhou em Campinas, onde fundou a empresa que opera a conta de publicidade da prefeitura. Outra empresa dele, a Quê Comunicação, é uma das três agências que detêm a conta de publicidade da Petrobrás. O publicitário é próximo do gerente-executivo de Comunicação da estatal, Wilson Santarosa, que também é de Campinas, onde fez carreira no sindicato dos petroleiros.

Santarosa foi o articulador, dentro do PT, da escolha de Demétrio Vilagra como vice-prefeito na chapa de Dr. Hélio. Vilagra foi um dos presos na operação que investiga as supostas fraudes na Sanasa.

O Estado revelou há duas semanas que Dudu Godoy emprestou seu escritório para uma reunião entre o ex-presidente da Sanasa Luís Aquino, que delatou o suposto esquema, e dois lobistas aos quais o Ministério Público imputa fraudes em série e desvio de R$ 615 milhões. O publicitário confirma a reunião, mas nega ter participado dela.

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