Escândalo das CNHs afasta 14 delegados

Diretor muda Ciretrans, anuncia força-tarefa para fazer blitze no Estado e promete seguir investigações

Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

O esquema da máfia das carteiras do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) levou ao afastamento de 14 delegados titulares de Circunscrições Regionais de Trânsito na Grande São Paulo e no litoral paulista. O Estado havia publicado ontem que os promotores responsáveis pela Operação Carta Branca tinham indícios e provas de envolvimento de integrantes de pelo menos mais dez Ciretrans na organização.O anúncio foi feito ontem pelo diretor do Detran, delegado Ruy Estanislau Silveira Mello. Entre as Ciretrans cujos chefes foram exonerados, estão Santos, Bertioga, Carapicuíba, Mauá e Santo André. Segundo Mello, o critério para a exoneração foi um levantamento feito pela Prodesp que apontou grande número de pessoas com CPFs de outros Estados participando dos processos para a retirada ou renovação da CNH. Questionado se os delegados estavam envolvidos com fraudes, o diretor respondeu: "Há suspeitas. Pode ser. Vamos apurar agora."Perguntado se há outros delegados suspeitos, Mello afirmou: "Por enquanto, são apenas esses 14". A exoneração dos delegados deve sair publicada no Diário Oficial do Estado de hoje. Em breve, os policiais devem ser remanejados para outras funções. O diretor do Detran também anunciou que os delegados poderão permanecer nas chefias de Ciretrans por, no máximo dois anos, e, após deixarem as funções, terão uma quarentena de mais quatro anos antes de retornarem a qualquer cargo em Ciretrans. Haverá mudança também na escolha dos delegados. Atualmente, os chefes de cada seccional indicam o nome do diretor da Ciretran de sua área ao Detran que, na prática, apenas assina a nomeação. A partir de agora, segundo Mello, haverá uma lista tríplice e todos os nomes serão checados antes de se escolher o nomeado.CORREIÇÕESA partir da próxima semana, o Detran fará correições extraordinárias em 27 Ciretrans do Estado, onde também há suspeitas de irregularidades na emissão de carteiras. Entre elas, as localizadas nas cidades de Barueri, Cotia, Diadema, Guarulhos, Mauá, Poá, Santo André, São Caetano do Sul, Santos, São Vicente, Guarujá e Bertioga. O escândalo também provocou uma mudança na fiscalização das Ciretrans. Atualmente, cada Ciretran é submetida a duas correições ordinárias "habituais" por ano - uma por semestre, ambas realizadas pela Delegacia Seccional responsável pela área.Agora, o Detran também passará a fazer duas correições anuais nas Ciretrans. "Pedi à Prodesp a modificação do sistema de digitais", adiantou Mello, referindo-se ao mecanismo pelo qual se faz a identificação das pessoas que estão tirando ou renovando a habilitação.DIGITAISO sistema foi criado para evitar fraudes com o uso de mesmas digitais para tirar mais de uma carteira de motorista. No entanto, na prática era possível uma mesma digital ser usada para liberar várias habilitações. Mello declarou ainda que a nova Corregedoria Geral do Detran montará uma força-tarefa para realizar correições extraordinárias por todo o Estado, atestando a fiscalização nos processos para a retirada das CNHs.

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