´Escapei por milagre´, diz lavador que perdeu van em SP

Israel Domiciano, de 25 anos, correu desesperadamente atrás da lotação, mas, felizmente, não conseguiu pegá-la. Se o tivesse feito, agora o lavador de carros estaria no fundo da cratera aberta com o desabamento nas obras do Metrô da capital paulista. Restou o susto de ver a rua se abrir diante dos seus olhos e engolir o pequeno ônibus que partia. "Escapei por milagre. Porque Deus decidiu me dar uma segunda chance."Esse capítulo com final feliz aconteceu às 15 horas de sexta-feira, 12. Quando Israel chegou ao ponto final da Estação Pinheiros, o lotação da cooperativa Transcooper, da linha Casa Verde-Pinheiros (177-Y), tinha acabado de sair. Atormentado por uma terrível dor de dente e com pressa de chegar ao dentista, o lavador saiu correndo atrás da van, assobiando e acenando para o motorista parar.Enquanto corria, Israel viu a parte superior da grua girar rapidamente e intensa movimentação de operários, mas a dor o fez ignorar a cena inusitada. Menos de 50 metros à frente, viu a rua partir no meio. "Não acreditava no que estava vendo. A rua começou a afundar na minha direção." Israel ficou paralisado diante do episódio de horror. Foram os gritos de "corre, corre" dos operários do Metrô que o trouxeram de volta. Ao cair em si, viu os peões pulando o muro do canteiro de obras e avisando os vizinhos para se afastarem. Assustado, voltou ao estacionamento onde trabalha e contou aos colegas o ocorrido. Alguns motoboys vizinhos riram da história maluca e da cara assombrada. A graça acabou assim que o grupo olhou para o canteiro e viu a poeira subir.Israel subiu na van seguinte. Mal entrou, contou ao motorista que havia visto a van anterior cair no buraco. O motorista também não acreditou. Só admitiu a hipótese de ser verdade quando chamou o colega pelo rádio e não obteve resposta. Por ter chegado atrasado à consulta, o lavador teve de dar explicações e, de novo, recebeu olhares duvidosos. "Vou checar na internet", disse a secretária do consultório. Israel só se deu conta do risco que correu às 17h30, quando voltou ao estacionamento e encontrou a região coalhada de policiais, bombeiros e jornalistas. Desde então, convive com a piada do patrão: "Você está vivo, primeiro graças a Deus e depois a mim, que não te deixei sair na hora certa."

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