Escola destruída por incêndio criminoso volta a funcionar

Uma semana depois de ser parcialmente destruída por um incêndio criminoso, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Sol Nascente, no bairro Vista Alegre, em Paulínia, voltou a funcionar nesta segunda-feira. A destruição ainda é visível nas salas mais atingidas e no temor das crianças, alunos de 1ª a 4ª séries. A melhor resposta veio de pais e vizinhos, que se mobilizaram no dia seguinte para limpar a sujeira.Graças ao mutirão do bem, o prédio pôde receber os cerca de 420 alunos de volta nesta segunda-feira. Duas salas e a biblioteca ainda estão destruídas. Alternativas foram improvisadas no refeitório para que todos pudessem estudar. A escola funciona de manhã e à tarde.Na noite de segunda-feira passada, no meio da crise entre Estado e bandidos, a Emef foi invadida e incendiada. O fogo se espalhou e destruiu a biblioteca e duas das sete salas de aula. Nas outras, queimou cortinas, algumas carteiras e se extinguiu. Na terça-feira, as crianças foram dispensadas.A mobilização começou em seguida. Segundo o diretor da escola, Heraldo Heder dos Santos, pelo menos 100 pais, mães e vizinhos se revezaram no mutirão de limpeza. Os voluntários jogaram fora o que não prestava e limparam o que podia ser reaproveitado, inclusive livros que não sucumbiram às chamas.O município tratou de pintar as paredes das salas menos atingidas pelo fogo, repor cortinas e carteiras. Nesta segunda, o prédio estava pronto para receber os alunos de volta. O diretor explicou que o prejuízo físico não foi calculado. A previsão, conforme ele, é de que em menos de um mês, as reformas estejam concluídas.O medo deve demorar mais tempo para ser superado. Embora acredite que a destruição foi ato de vandalismo, sem nenhuma relação com o terror do crime, o diretor comentou que a repercussão do episódio foi grande. "A sociedade repudia a violência, seja ela qual for", alegou.De acordo com Santos, as crianças estão receosas, querem saber quem provocou o incêndio, por quê, e se foi preso. "Tentam entender o que aconteceu. Não temos a resposta, apenas podemos explicar que aconteceu."Mãe de duas crianças que freqüentam a escola, Simone Cristina Victorio disse aos filhos, um menino de 8 e uma menina de 6 anos, que o incêndio foi provocado por pessoas que não prezam a educação e que não têm perspectivas de construir um futuro melhor. Simone participou do mutirão. "Tivemos de nos unir e buscar forças em todos os sentidos."A mãe contou que a comunidade ficou abalada, mas se fortaleceu. Ela mandou o filho de volta à escola com "o coração na mão". "Eu, que sou adulta, não consigo assimilar, imagine as crianças." A filha está no primeiro ano do ensino fundamental e só retoma as aulas na terça-feira. Hoje, Simone foi com a menina comprar materiais escolares novos, para ajudá-la a superar o trauma."Quando a gente coloca um filho na escola, pensa em ajudá-lo a ter um bom futuro. Um ato como esse é contra a vida, o bem comum", desabafou Simone. No dia do atentado, não havia ninguém na escola. Desde hoje, vigias farão plantões noturnos para tentar evitar que a destruição se repita.

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