Escola pública usará câmeras para vigiar alunos

A direção da Escola Estadual Elói Lacerda, em Osasco, na grande São Paulo, resolveu instalar três câmeras filmadoras nas dependências do colégio, na tentativa de inibir a violência dos alunos. A decisão veio depois que os estudantes Rafael Barbato da Silva, de 18 anos, e David Vieirea da Silva, de 19, foram feridos a bala durante o horário de aula, na noite da última quarta-feira. No dia seguinte, as aulas foram canceladas. As câmeras foram instaladas ontem no pátio, na secretaria e na entrada do banheiro masculino. Hoje o colégio foi aberto, mas o clima ainda era de tensão entre os alunos. "Eu só vou assistir aula na segunda-feira. Estou esperando a poeira baixar", disse M.G.C., de 15 anos. Ela cursa o primeiro ano do curso médio e estava no colégio quando os alunos foram baleados. "Isso nunca tinha acontecido aqui. Depois dos tiros, foi a maior correria". Ela e sua amiga S. L. A. T. , de 17, aluna do terceiro ano, lembraram que brigas são freqüentes na escola. Além disso, o cheiro de maconha infesta as dependências do colégio durante os intervalos, no período noturno. Durante a manhã, a situação é semelhante. "Fumar maconha é coisa normal aqui", disse T. A. S., de 17 anos, aluna do primeiro ano. A situação da escola amedronta os pais de alunos. "Minha mãe quer que eu mude para o período da manhã, mas já lhe disse que não tem nenhuma diferença", falou um estudande que não quis se identificar. Para ele, "o que falta na escola é a presença da polícia, que deveria ficar 24 horas aqui".Gilson de Oliveira Nascimento, 36, pai de uma aluna de 13 anos, quer tirar sua filha o mais rápido possível do colégio. "Já estou aguardando vaga para ela em outra escola". Ele lembrou que, em fevereiro, todos os estudantes da classe de sua filha foram suspensos por uma semana porque "mostraram as nádegas para uma professora grávida e ela desmaiou". Segundo ele, no final do ano passado, um jovem foi morto a tiros, por volta das 15 horas, em uma das esquinas do colégio, um dos 65 mantidos pelo Estado em Osasco.

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