Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Escolas do Rio decidem título entre emoção e técnica

Mangueira e Portela são as favoritas; apuração começou às 16h30, na Sapucaí

Fabio Grellet e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 08h12
Atualizado 06 de março de 2019 | 16h40

RIO - A disputa pelo título do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro deve ser decidida, na tarde desta quarta-feira, 6, entre a emoção e a frieza dos quesitos - que são nove e não incluem o sentimento. Quatro escolas apresentaram desfiles plasticamente semelhantes - carros alegóricos e fantasias bem feitas, luxuosas e bem acabadas. Portela e, principalmente, Mangueira, que desfilaram na segunda noite, fizeram exibições contagiantes. Envolveram o público a ponto de muita gente chorar nas arquibancadas e frisas. Tijuca e Viradouro, que se exibiram na primeira noite, apresentaram desfiles tecnicamente muito corretos e mais teatrais do que a outra dupla. Ficaram, porém, estiveram longe de cativar o público da mesma forma.

 

Logo abaixo dessas quatro escolas, mas também com chances de título, estão a Vila Isabel e o Salgueiro. Ambas tiveram problemas com o cronômetro e podem perder pontos em harmonia e evolução. A escola do bairro de Noel Rosa fez excelente desfile no segundo dia, mas ultrapassou em um minuto o tempo máximo de exibição e automaticamente vai perder 0,1 ponto. O Salgueiro também fez um belo desfile, mas igualmente correu no final.

Em outro patamar, inferior, estão União da Ilha e Mocidade Independente de Padre Miguel, que fizeram bons desfiles, porém plasticamente menos impactantes. Praticamente no mesmo padrão, mas com enredos mais confusos e menos luxuosos figuram a Beija-Flor, atual campeã, e a Grande Rio, que ficou em penúltimo em 2018 e só não foi rebaixada porque as regras foram alteradas após a apuração.

 

Se não houver nova virada de mesa, como ocorreu nos dois anos anteriores (a mais recente por pressão da Grande Rio sobre a direção da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), desta vez duas escolas serão rebaixadas para a Série A, a segunda divisão do samba do Rio. Quatro agremiações correm esse risco em 2020: São Clemente, Império Serrano, Imperatriz Leopoldinense e Paraíso do Tuiuti.

A São Clemente fez um desfile divertido, mas com fantasias e alegorias simples, mais típicas da Série A. Já o Império Serrano, que ficou em último em 2018 e só não caiu por ter sido beneficiada pela  mudança de regulamento posterior ao desfile, repetiu basicamente os mesmos erros do ano passado. Descuidada em fantasias e alegorias, não conseguiu nem sequer manter totalmente aceso o luminoso com o nome da escola, em tripé logo no início do desfile: as três últimas letras estavam apagadas. Outros erros foram cometidos em harmonia e evolução.

A Imperatriz Leopoldinense teve problemas com carro alegórico. Assim como a Paraíso do Tuiuti - que desfilou cercada de expectativa, por ser a atual vice-campeã, mas teve dois carros com defeitos. Um deles teve que ser parcialmente desmontado a poucos metros da pista do sambódromo para que voltasse a andar.

Ao todo, seis jurados avaliaram as escolas em cada um dos nove quesitos seguintes: Alegorias e Adereços, Bateria, Comissão de Frente, Enredo, Evolução, Fantasias, Harmonia, Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Samba-enredo. 

Minutos antes do início da abertura dos envelopes com as notas do grupo especial das escolas do Rio de Janeiro, Tia Surica, tradicional portelense, disse estar confiante na vitória, mas evitou comemorar antecipadamente. "Cabeça de jurado é uma caixinha de segredo. Não é possível prever nada", afirmou a sambista.

Na Marquês de Sapucaí, onde acontece a apuração desde as 16h30, as torcidas chegam aos poucos. A Mangueira, que solta fogos de artifício e grita "Fora Crivella (prefeito do Rio)", é a mais animada. O gestor municipal, Marcello Crivella, ameaça reduzir a verba das escolas.

 

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