Escolas estaduais tem funcionamento parcial em Salvador

Apesar de governo ter mantido início de ano letivo para a rede estadual, estudantes não compareceram às aulas em parte dos colégios; escolas particulares adiaram começo

Eliana Lima, Agência Estado

06 Fevereiro 2012 | 17h22

A greve dos policiais militares da Bahia que já dura seis dias prejudicou o início do ano letivo nas redes de ensino público, apesar de o governo ter mantido o começo das aulas nas escolas estaduais nesta segunda-feira, 6. Ao todo, cerca de dois milhões de alunos da rede pública estadual deveriam ter retornado às aulas hoje.

O funcionamento nas escolas foi parcial. Na prefeitura a expectativa é de que o ano letivo seja iniciado nesta terça-feira, 7. Já os colégios particulares acataram orientação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA) e adiaram o retorno às salas de aula até o final do movimento grevista.

Embora a Secretaria de Educação do Estado não tenha uma estimativa sobre a presença de alunos nas escolas, informou que várias unidades de ensino ficaram sem aulas em razão da ausência dos estudantes. Um exemplo foi o tradicional Colégio Central, que abriga alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio, onde os professores compareceram, mas os estudantes, não. A escola fica na Avenida Joana Angélica, de grande movimentação, no centro velho de Salvador.

A situação foi diferente na Escola Parque, localizada no bairro da CaixaD'Água, onde houve até um evento festivo com a inauguração do prédio da unidade escolar. Até então a escola funcionava em um imóvel alugado. 

A doméstica Tereza Souza Santos, 47 anos, não deixou os filhos adolescentes irem para a escola localizada no bairro do Nordeste de Amaralina, área conhecida pelos índices de criminalidade. "Embora o Exército esteja nas ruas, a gente nunca sabe o que pode acontecer. Bandido tem arte. Os meninos só vão para escola quando a greve acabar e estiver tudo calmo", disse.

Já o porteiro, Elias Machado, levou os filhos logo cedo à aula num colégio no bairro da Pituba. "A gente fica apreensivo, mas não tem muito o que fazer e eles precisam estudar", comentou.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, Rui Oliveira, as escolas estão avaliando a segurança dos locais onde estão instaladas para decidir se há condições de manterem as atividades. Em nota, a APLB-Sindicato, orienta os professores e demais trabalhadores em educação a não comparecerem às unidades escolares.

Na rede municipal, onde o ano letivo começa nesta terá-feira, 7, o secretário de educação, João Carlos Bacelar disse que o calendário está mantido.

Já as escolas particulares seguiram a recomendação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-Ba) de só voltarem à normalidade quando a greve da polícia militar terminar.

Nos arredores da capital baiana, mais precisamente, na rótula da Ceasa-Estrada Cia Aeroporto, um ônibus de transporte escolar foi incendiado pela manhã. O veículo locado pela prefeitura de Lauro de Freitas, cidade da Região Metropolitana de Salvador foi interceptado por homens armados e motoqueiros. Eles espalharam combustível e em seguida atearam fogo. O ônibus transportava seis alunos, mas ninguém ficou ferido.

A prefeita da cidade, Moema Gramacho determinou reforço na roda escolar em todo o município.

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