Escolha de Falcão refaz hegemonia paulista

Em reunião marcada por temas com alto poder de desgaste, a cúpula do PT indicou ontem à presidente Dilma Rousseff que o partido não aceita mais ficar a reboque do Planalto. Escolhido candidato por um grupo insatisfeito com a falta de cargos no governo, o deputado estadual Rui Falcão foi eleito presidente do PT, em substituição a José Eduardo Dutra, com um discurso de unidade e prometendo "direção coletiva". Dutra renunciou por problemas de saúde e Falcão e acabou sacramentado pelo Diretório do PT. Ligado ao ex-ministro José Dirceu, réu do mensalão, Falcão não era o candidato de Dilma nem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiam o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

Eugênia Lopes, João Domingos e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2011 | 00h00

A escolha refletiu a guerra política entre o governo e a bancada da Câmara, descontente com a montagem do segundo escalão. "Somos aqueles filhos que estão crescendo e tomando decisões próprias", resumiu o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT.

Falcão disse ter "amizade profunda" com Dilma e fez uma referência indireta ao mensalão ao criticar a elite, que segundo ele, "tentou depor Lula e não teve coragem". Primeiro-secretário da Assembleia, Falcão é da corrente Novos Rumos e representa um grupo que hoje se sente alijado na equipe de Dilma. Muitos querem de volta a hegemonia paulista no PT. Parte dessa articulação é liderada por Dirceu. "Isso não tem pé nem cabeça", desconversou ele.

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