Escolha de ministros segue 'ritual' com bênção de Lula

Nomes confirmados têm audiências com o presidente e Dilma no 'Triângulo dos Eleitos': Planalto, Alvorada e Torto

Leonencio Nossa/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2010 | 00h00

Guido Mantega (Fazenda), Nelson Jobim (Defesa), Luciano Coutinho (BNDES), Fernando Haddad (Educação), Sérgio Gabrielli (Petrobrás), Alexandre Tombini (BC), Miriam Belchior (Planejamento), Carlos Lupi (Trabalho) e José Gomes Temporão (Saúde). Definidos ou não para compor o ministério da presidente eleita, Dilma Rousseff, esses nomes têm outra característica em comum: todos percorreram o caminho do "Triângulo dos Eleitos".

Todos eles passaram pela Granja do Torto, onde fica Dilma, e pelo Palácio do Planalto, onde trabalha o presidente Lula. E quando é preciso uma conversa mais discreta, o Alvorada vira o ponto noturno da reunião de avaliação.

Na quarta-feira passada, o economista Luciano Coutinho conversou com Dilma sobre a permanência no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Horas depois, estava no gabinete de Lula no Palácio do Planalto. É a "bênção presidencial", dizem os assessores do governo.

Desde o início do mês, Lula tem repetido em entrevistas que não dá "palpites" na composição do próximo ministério. Na prática, porém, os escolhidos de Dilma precisam conversar com ele antes de ter o nome anunciado por interlocutores da presidente eleita diante dos holofotes.

Assessores do Planalto dizem que a conversa dos escolhidos com Lula é apenas para discutir questões do atual governo e, no máximo, o atual presidente dá uma "bênção" ao escolhido. Também dizem que Dilma está sendo cuidadosa em demonstrar respeito e consideração pelo atual presidente, que ainda chefia boa parte dos escolhidos.

Seja para chancelar a escolha da eleita ou para benzer os futuros ministros, Lula recebeu, na véspera da confirmação dos nomes, todos os que vão compor o ministério e comandar estatais. Foi assim com Miriam Belchior, Tombini e Gabrielli. Na semana passada, Gabrielli saiu do Rio para um encontro com Lula no Planalto apenas para fechar sua permanência na estatal de petróleo.

Oficialmente, ele esteve com o presidente para fazer um balanço das ações e dos programas da estatal. O presidente da República disse em entrevista, após o encontro, que Gabrielli continuaria no comando da Petrobrás até 31 de dezembro, quando ele, Lula, deixa o governo. No ritual do Planalto, Gabrielli conseguia garantir a permanência no cargo.

Antonio Palocci, Gilberto Carvalho e Paulo Bernardo, os três fiéis aliados de Lula que vão integrar o governo Dilma, sendo os dois primeiros na "cozinha do Planalto", têm conversas com o presidente todos os dias.

Angústia. É grande a angústia na Esplanada dos Ministérios, onde atua boa parte dos 37 ministros do governo, diz um interlocutor de Lula. Receber um telefonema do Planalto para uma audiência com o atual presidente tem o mesmo valor que uma ligação da Granja do Torto, onde mora Dilma Rousseff, avalia o auxiliar de Lula.

Alguns ministros aguardam em silêncio um telefonema do Planalto. E até quem está de saída, como José Gomes Temporão (Saúde), não deixa de avaliar com Lula a situação do ministério e a escolha do sucessor.

Há ainda os que esperam sensibilizar o presidente. Foi o caso de Carlos Lupi, do Trabalho, que na semana passada conseguiu a façanha de levar Lula até a periferia de Brasília para inaugurar um posto do ministério batizado com o nome de Leonel Brizola.

Na festa ficou evidente o lobby para permanecer no cargo. Lupi rasgou elogios a Lula, mas não conseguiu arrancar dele um sinal de que continuará na pasta. Diante de câmeras, o ministro, porém, deixou claro que está à disposição de Dilma.

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